Trabalhos de modulo

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA PSICOSSOMÁTICA REGIONAL – DF

 

 

MÓDULO: Nº 10

 

PROF.: …………………………………………………………….

 

 

 

 

 

COORDENADOR DA TURMA PROF. LUIZ MARIANO

CURSO DE EXTENSÃO LIVRE DE PSICANÁLISE FREUDIANA INTEGRATIVA

 

 

 

 

DISCIPLINA: Módulo Nº 7 – CASOS CLÍNICOS: PEQUENO HANS E O HOMEM DOS RATOS

ALUNO: Dr. José Carlos M. M. de Carvalho – Médico / Dentista / Especialista Ortodontia

TURMA: E/2012

 

 

 

 

(CAPA DO TRABALHO MODELO ACIMA O MODELO NA FOLHA A-4 )

(ENTREGAR CÓPIA IMPRESSA E ENVIAR UMA CÓPIA POR E-MAIL DO CURSO) 

 

Brasília, 28/01/2013

Casos Clínicos: Pequeno Hans e o Homem dos Ratos

 

Análise dos Sintomas

São duas concepções ligadas cada uma as duas principais neuroses: Histérica e Obsessiva.

O Sintoma histérico hipoteticamente é produto do recalque. Freud (1908) pensava o sintoma como produto de uma idéia, desejo ou pensamento que foi recalcado. O recalque não anula o recalcado, pois ele tenta se expressar e o faz a partir de um sintoma.

O que podemos chamar de “Resto do Recalque” se instala entre o inconsciente e o pré-consciente, criando neste último uma tensão em direção a consciência. Próximo da consciência este “Resto” se liga a um comportamento qualquer e por ai se manifesta o Sintoma. Esta descarga através dos sintomas gera certo alívio para o organismo, onde podemos reconhecer que o sintoma é uma forma de defesa contra o recalcado. Freud conclui que toda a idéia ou pensamento recalcado eram desejos, e que estes sofrem o recalque.

Desejos que não podem se realizar eram recalcados, retidos no inconsciente, não sendo reconhecidos como próprios. O sintoma é uma metáfora, que vem por substituição, no lugar do recalcado. Ao desvelar esse desejo, retirando a barreira do recalque, que supostamente defende o aparelho psíquico, temos a resolução analítica.

Freud e o Pequeno Hans

Freud foi procurado pelo pai de um menino (Hans) que não saia de casa com medo de ser mordido por um cavalo. Tornou-se um dos mais famosos casos de Freud, que tratou o filho através das orientações ao Pai.

A genialidade de Freud foi saber que o problema tinha a haver com o relacionamento de Hans com os pais. O que Hans ocultava?

Um conflito: “Um amor e ódio” dirigido a mesma pessoa. Hostil e ciumento em relação ao pai numa atitude edipiana e também nutrindo por ele um terno amor.

A fobia (cavalo) era principalmente uma tentativa de solucionar o conflito, o reprimido foi o impulso hostil contra o pai.

A Lógica do Inconsciente

-Penis

-Hans penis pequeno e Pai penis grande.

-Cavalo penis grande

-Equação: Cavalo = Pai do Hans.

Hans viu o amiguinho cair do cavalo e ferir-se. Seu impulso foi para que o pai também caísse. Ao ver alguém partir, tinha o mesmo desejo com relação ao pai, deixando-o livre para ficar com a mãe. Esta intenção de se desvencilhar do pai equivale ao impulso assassino do Édipo.

Lógicas das Emoções

- Prazer

- Desprazer

- Raiva

- Medo

O medo do cavalo veio da raiva que Hans teve. O que gerou a sua ansiedade.

 

Deslocamento

 

Pelo fato do pequeno Hans estar apaixonado pela mãe e ter medo do pai, não podemos dizer que ele apresentava uma neurose. O que se transformou em neurose foi sua substituição do pai por um cavalo.

Este tipo de deslocamento se torna possível, por ser Hans uma criança, elas não dividem muito o mundo humano do animal. Assim, o conflito é contornado quando um dos impulsos (ódio) é dirigido para outra pessoa ou, no caso, o cavalo.

 

Exemplos de Deslocamento

 

O funcionário que sofre de conflitos no emprego e é agressivo em casa.

A criança que desloca a raiva sentida pelos pais para a boneca.

 

No caso do pequeno Hans, o que na verdade determina a escolha de um cavalo como o causador da ansiedade tem haver com o fato de o pai brincar de cavalo com ele. O impulso de agressividade contra seu pai deu lugar a uma agressividade (sob a forma de vingança) por parte do pai para com ele, que se manifesta no medo do pequeno Hans ser mordido pelo cavalo.

 

O Sintoma é a Solução Neurótica.

 

A ansiedade gerada pelo conflito Edipiano foi resolvida pela Fobia, pois ela eliminou os dois principais impulsos do Complexo Edipiano, a agressividade para com o Pai e se excesso de afeição pela mãe.

 

O Medo da Castração

 

O pequeno Hans desistiu de sua agressividade para com o pai temendo ser castrado. O medo de que um cavalo o mordesse pode representar o temor que o cavalo arrancasse com os dentes seus órgãos sexuais, órgão que o distingue de uma fêmea.

A ideia contida na ansiedade dele, a de ser mordido por um cavalo, substituiu o pensamento de ser castrado pelo pai, sendo esta a idéia que sofreu a repressão.

 

Consideração: A ansiedade sentida em fobias a animais é o medo da castração do Ego. Enquanto na agorafobia, a ansiedade parece ser um medo da tentação sexual, que no final deve estar vinculada na origem ao medo da castração. A ansiedade não surge da libido reprimida, e sim ao medo da castração.

 

As Vantagens da Formação Substitutiva (Formação dos Sintomas) são: Primeiro evita um conflito de Amor e Ódio (Ambivalência) em relação ao Pai. Segundo, permite ao Ego deixar de gerar ansiedade, pois a ansiedade fóbica é condicional, ela só surge na presença do objeto deslocado (cavalo).

 

Não pode se livrar do pai, porém se ele é substituído por um animal, tudo o que tem a fazer é livrar-se de sua presença e ficar livre do perigo e da ansiedade. O pequeno Hans não saia de casa para não encontrar qualquer cavalo.

 

Fobia e Projeção

 

A fobia é projetiva. Ela substitui o perigo interno instintual por outro externo e perceptual. Dando ao indivíduo condições de se proteger contra um perigo externo, evitando-o, ao passo que não se foge de perigos internos. A ansiedade sentida nas fobias de animais pelas crianças é uma reação afetiva do Ego diante do perigo (perigo de castração).

 

A fobia do adulto se assemelha a da criança. O paciente agorafóbico restringe o seu ego a fim de escapar de certo perigo instintual. Perigo de ceder a seus desejos eróticos, com o risco de ser castrado ou outro perigo que seria evocado, como se fosse à infância. Exemplo: Um jovem se tornou agorafóbico porque temia ceder as solicitações de prostitutas e delas contraírem doenças como castigo.

 

A Fobia é uma regressão a infância, sua sintomatologia é mais complicada pelo fato do Ego fazer uma renuncia, ele faz uma regressão. Exemplo: Um paciente agorafóbico pode vir a caminhar na rua desde que esteja acompanhado (como uma criança) com alguém da sua confiança.

 

Lacan e o pequeno Hans (Relação Dual)

 

Lacan define como “paraíso” a relação dual de Hans com a mãe, tendo a ilusão imaginária de complementaridade com o corpo da mãe. Nessa relação à criança é o falo que falta a mãe, seu objeto de desejo. O rompimento desta relação ocorre no encontro com o traumático, o real que faz o furo no imaginário. Experiências estas como: o nascimento da irmã e também as experiências masturbatórias.

 

Elas defrontam Hans com algo externo ao paraíso, furando a relação. Acontece quando o seu próprio penis torna-se real, algo fora do corpo e também como já foi dito, o nascimento de uma irmã vem a romper sua relação unicidade com a mãe.

No capitulo IV de “Inibição Sintoma e Angustia” 91926, Freud define fobia como um sintoma substituto para algo que foi recalcado (raiva do pai). A fobia de Hans eliminou os dois principais impulsos do Complexo Edipiano, sua agressividade ao pai e o excesso de afeição pela mãe (Freud 1929:109).

 

Se para Freud o objeto fóbico “cavalo” aparece como substituto do pai, Lacan dá ao cavalo e a outros elementos da fantasia uma função metonímica, onde o cavalo representa primeiro a mãe, depois o pai e ainda o próprio Hans, e não uma representação metafórica.

 

O Surgimento da Fobia

 

A fobia surge por conta do pai real, isto porque o pai não funciona como agente de castração, sendo que Hans não pode sair da posição Edipiana (amor pela mãe e ódio pelo pai).

 

Lacan analisa que mesmo Hans tendo tomado posse da mãe na fantasia, o pai não reage com raiva. Hans chega a dizer: “você deve estar com raiva, você deve estar com ciúmes” (Lacan 1956-57:269), mas o pai não reage diante do Édipo do filho. A fobia se deve então pela carência do pai real. Segundo Lacan Hans, filho único, nadava em felicidade, não era frustrado e não sofria ameaça de castração pelo pai. Não sendo então privado de seus prazeres.

 

A posição do pai simbólico, segundo Lacan, permanece velada na medida em que ocupa a posição de pai imaginário, ao tentar reduzir a culpa de Hans, explicando que sua fobia é uma bobagem e que o falo desejado (na mãe) não existe etc.

 

Lacan assinala que Freud, representa o papel do pai para Hans, aquele que possui a palavra, e, se revela como testemunho da verdade.

 

É através de fantasias que Hans consegue dar conta da castração. Com a fantasia de que um bombeiro lhe dava um “pipi maior” ele supera o medo da castração e soluciona a fobia. O bombeiro da fantasia, que lhe desparafusa, coloca a dimensão do objeto como removível, objeto de troca situado fora do corpo. Assim, o falo se torna significante, com uma mobilidade simbólica.

 

NEUROSE OBSESSIVA (Sintoma Obsessivo)

 

O sintoma da neurose obsessiva é a compulsão, que são atos repetitivos. O sintoma vem como uma resposta a uma satisfação insuportável. Ocorre o mesmo esquema da histeria, onde um desejo foi recalcado não podendo se reconhecido. A pulsão sempre procura satisfazer-se mesmo de forma substitutiva, operando na neurose obsessiva pela infiltração da pulsão no recalcado.

 

A neurose obsessiva difere da histeria, nesta o desejo recalcado vira sintoma, não obtendo a satisfação. No obsessivo, ele obtém a satisfação, só que a própria satisfação é sentida como insuportável, pois o sujeito se condena por obtê-la. Assim, os sintomas “expressam a luta entre a satisfação e a defesa” (Freud 1917, p. 361).

 

Na obsessão tem-se que é a pulsão e não o desejo que se satisfaz no sintoma. O sintoma vem no lugar da pulsão de algo que exige satisfação, sendo o sintoma o produtor de tal satisfação. O sintoma se converte em uma satisfação em si mesmo.

 

A barreira do recalque é porosa à pulsão, possibilitando a sua infiltração no sintoma e a defesa não permite que se reconheça a satisfação como tal e sim experimentá-la como desprazer.

 

Satisfação não é prazer, o obsessivo está sempre buscando a satisfação e a consegue, o que não quer dizer que tal satisfação gere prazer.

 

Todo desejo é por definição insatisfeito. A pulsão, no entanto, sempre vai obter satisfação, mesmo que para isso use de desvios. O sintoma como formação do inconsciente é comparável aos sonhos e a atos falhos, sendo decifrável, possibilitando uma interpretação. Na satisfação pulsional o sintoma (comportamentos repetitivos) não são tocados pelo significante, portanto resistente a interpretação.

 

Freud mostra que a resistência não é do inconsciente, que está sempre pronta a abrir o seu caminho à consciência. No caso, a resistência é própria da estrutura do sintoma em função da satisfação obtida por ele.

 

Freud (1926, p.172) reconhecia que pela palavra não era possível dar conta inteiramente do sintoma, que havia algo da satisfação do sintoma que permanecia inabalável apesar da interpretação, mesmo que muito do sintoma pudesse ser removido por ela.

 

O neurótico obtém uma satisfação que deveria ter com a relação sexual. Eles tendem a se satisfazer mais com seus sintomas do que na relação com o outro sexo. A obsessão padece dos pensamentos enquanto a histeria do corpo. O corpo é o parceiro sexual da histeria e o pensamento o parceiro da obsessão.

 

O padecimento denuncia uma satisfação, que o faz sofrer e gozar mais do que se fosse com o parceiro sexual. Na obsessão o sintoma é sempre uma solução, sendo por isso tão difícil fazê-lo desaparecer.

 

O Homem dos Ratos

 

O homem chega a Freud dizendo sofrer de obsessões desde criança, sendo que nos últimos tempos elas haviam se agravado pela idéia que lhe assustava, de que “algo pudesse acontecer a duas pessoas de quem ele gostava muito. Seu pai e uma dama a quem admirava muito” (Ibide, p.163)

 

“O homem dos ratos” é um caso de neurose obsessivo clássico atendido por Freud, que mesmo encontrando temas em neuroses obsessivas, notava-se no caso um aspecto bem particular. O fantasma ou argumento imaginário que levou o paciente a procurar a análise foi o impacto causado pela narração de um tipo de tortura, provocada pela penetração de ratos no reto de um individuo. Isto não desenvolve sua neurose, mas suscita a angústia e também aponta para vários temas trazidos pelo paciente.

 

A Historia de vida do Paciente

 

O paciente descrevia seu pai como simpático e que tinha sido um suboficial do exército, o que lhe dava certo tom de autoridade e ostentação, embora fosse desvalorizado entre seus contemporâneos. Contou ainda que seu pai casou com sua mãe por conveniência, pois ela era mais rica do que ele, colocando-o numa posição de menos prestigio do que ela na relação.

 

A mãe brincava com seu pai referindo-se a uma moça pobre e bela de quem ele era apaixonado, e, que ele abriu mão para se casar com ela, no caso uma mulher mais rica.

 

Mesmo que isto fosse um jogo por parte da mãe, o que importa é que a possibilidade de seu pai ter deixado a pobre mulher amada, impressionou bastante o paciente.

 

Outra situação importante com relação ao pai foi ele ter perdido, quando suboficial, o dinheiro do regimento a ele confiado no jogo. Mesmo um amigo tendo emprestado o dinheiro para pagar a dívida, este episódio maculou sua honra diante de seus pares. O tal amigo bondoso nunca mais foi encontrado, impedindo que a dívida fosse paga, o que causou um grave desconforto no paciente.

 

Apesar do paciente falar de sua família, ele não a relacionava com o que ocorria com ele atualmente. Afirmava que nem sabia por que falava naquilo, já que não tinha nada a haver com sua situação atual.

 

Para Freud, é clara a relação entre a sua estrutura familiar e o que o paciente vem apresentando, levando-o a procurar análise.

 

Um fato importante da história clínica do “homem dos ratos” é que o conflito mulher rica/mulher pobre presente em sua história familiar, reproduziu-se em sua vida quando seu pai quis que ele casasse com uma mulher rica. Isso, mais uma vez, aponta para a obsessão fantasmática que o levou a procurar tratamento.

 

Obsessão essa caracterizada por um medo de que a tortura dos ratos fosse aplicada as pessoas que lhe eram queridas. Essas pessoas eram uma empregada a quem dedicava um amor idealizado, com que havia se envolvido pouco antes do pai tê-lo impelido a se casar com uma mulher rica, e o pai, que no inicio da análise já tinha falecido.

 

Ocorre o retorno de dois elementos da constelação familiar do sujeito: a mulher pobre, encarnada na empregada, e o pai, um pai imaginado no além depois de morto.

 

Além de sofrer por causa deste perigo fantasmático, a quem ele amava, o paciente encontrava-se na época em que procurou Freud angustiado com o fato de ter participado recentemente de manobras militares, ocasião esta em que um oficial com muita crueldade lhe conta da tortura que ele realizava em pessoas utilizando os ratos.

 

Também uma questão intricada, de um pagamento de uns óculos que ele mandara fazer o remeteu a experiência do pai com o dinheiro do regimento, levando o a uma tremenda angústia.

 

Tanto a mulher rica/mulher pobre, quanto o pai devedor/amigo salvador, tornaram-se determinantes no que podemos chamar de script de vida, onde essas situações determinarão as relações do paciente com as outras pessoas. Estas ocuparão de maneira transformada uma destas quatro posições possíveis.

 

A característica do neurótico é a retomada desta estrutura básica, que advém da constelação familiar, o protocolo é feito no ambiente familiar.

 

Porém, o que dá o caráter mítico a este cenário fantasmático é o fato desta apreensão se modificar tendenciosamente, a relação inaugural.

 

Percurso de Psicanálise da ABMP-DF

Curso de Formação Psicanálise