Rompimento do Vínculo Afetivo Amor ou Paixão?
Artigo de membro da ABMP-DF
O rompimento de um vínculo afetivo é quase sempre um processo muito doloroso e de muita aflição. Mesmo quando é a própria pessoa quem decide se separar, ou a forma como procedeu ao rompimento de uma relação, tudo isso pode ser muito traumático (para um lado ou ambos) e a cura dessa ferida nem sempre vêm pela aceitação da perda e do perdão. E aqui “perdão” é uma perda grande sim que temos que aceitar e consentir perder normalmente perder de defender ou achar que têm a razão. As “perdas” estão muito mais ligadas a paixões que o “Amor” de verdade que poucos conhecem.
Ainda há de tomar muita cautela com o “Ciúme” que é a inveja que o outro seja feliz primeiro e sendo livre de domínio ou controle da possessão do outro.
Tudo isso via de regra acompanhado de muito sofrimento e dor. São poucos e raros os “casais” que são maduros o suficientemente que ficam amigos superficialmente o suficiente para serem justos em suas “separações”.
Na maioria das vezes têm-se todo um processo de isolamento, de psicossomatização e depois vem um processo de punição ou castigo; pois ambos os lados na maioria das vezes querem julgar e punir e “sempre a culpa é do outro (a) e nunca de si próprio pelo fim da relação” e agem muito mais pelo ímpeto da paixão do que pelo Amor de verdade.
Mas por quê?
Para responder essa questão, precisamos refletir muito a respeito do espaço e qual era o tempo que cedíamos a (esse alguém) que achávamos que amávamos. As maioria das pessoas crescem e vivem com o sonho “O Mito de Princesa e Príncipe” de encontrar um grande Amor da sua Vida, que vai completar seu vazio ou suas faltas da vida e isso muito perigoso, mas encontram sempre uma grande paixão e poucos encontram o Amor.
Muitas quando encontram esse grande “amor” de sua vida; não saber discernir o que é Paixão o que é Amor. Muitos tratam depois de algum tempo de projetar “nele” suas frustrações e seus próprios defeitos; daí termina a “relação” e prosseguem em busca de outra pessoa que não lhe contrarie com as suas frustrações ou expectativas neuróticas.
Assim, muitos vivem com a ilusão de que um dia será “feliz para sempre” ou que para ser feliz espera-se num “amanhã” longínquo e quase nunca no presente no hoje; e digo o hoje é para ser vivido feliz sim como se houvesse o amanhã também.
Existe o pensamento de ilusão do ser humano sempre achar que a “Felicidade sempre está no Outro” afinal, a felicidade absoluta e a existência de alguém capaz de nos preencher todas as nossas necessidades e desejos são quase impossíveis.
Mas a maioria das pessoas precisa alimentar essa ilusão para viver, para sonhar ou protelar para “amanhã” a descoberta de sua felicidade interior.
É neste tempo do “amanhã” é que muitos de “nós” somos extremamente “enganados”, pois colocamos nossa chance de Felicidade num “amanhã” para cuidar de outras questões pessoais, familiares ou profissionais. E vida afetiva de um “Casal” foi feita para ser renovada todas as manhãs; é como uma planta que sempre necessita de “cuidados” atenção do sol, chuva, sombra e repouso.
Quando somos amados ou amamos! Sentimo-nos reconhecidos, únicos, especiais e indispensáveis para o outro. E os sentimentos opostos só aparecem quando nos separamos ou quando surgem algumas provações..
Diferenciar o Amor e a Paixão não é tarefa fácil somos acometidos de um enorme vazio, uma sensação de sermos solitários, “descartáveis”, de que estamos “sem chão” ou da sensação que não vamos suportar.
Sentimos-nos isolados, tristes e perdemos o prazer em coisas que antes nos interessavam não nos cuidamos da mesma forma. Nosso pensamento de ilusão é de uma completude, que acaba que parece não conseguimos sonhar a vida fica meio sem graça.
O que fazer então?
Muitos são os conselhos: “Dor de amor se cura com um novo amor”, “Não fique triste, ele (a) não te merece”, “Existem muitas pessoas no mundo” muitos se apegam a fé.
Embora existam pessoas insubstituíveis em nossa Vida, hoje nós vivemos como se tudo pudesse ou devesse ser substituído, e só acordamos para isso às vezes um pouco tarde demais.
Evidente que existem aquelas pessoas que apenas passam por nós para nos ensinarmos a amadurecer e a aprender a diferenciar Amor e Paixão.
Mas voltando ao rompimento “afetivo” será que devemos nos permitir a tristeza?
Creio que sim. É fundamental que, após o rompimento de uma relação afetiva, possamos passar por um processo de luto, momento em que ficamos mais reflexivo, isolado e nos questionamos a respeito de várias coisas de nossa vida. Nesse sentido, apesar de ser um processo aflitivo, não há problema nenhum se ficar alguns meses sem vontade de sair com conhecidos, amigos, se chorarmos com freqüência e não nos interessarmos em encontrar alguém, mas isso não pode se prolongar por muito tempo.
Este período de crise “luto” serve para que possamos nos conhecer melhor, avaliar como nos colocamos nas relações-afetivas, quais são nossos valores, o porquê de termos nos interessado por determinada pessoa, a avaliar até aonde podemos estar implicados naquilo que levou ao fim do relacionamento é o “Afeto que Afeta”.
São poucos os capazes de se renovar e se reerguer para uma nova relação, sem sofrimento punição ou vingança. Se formos capazes de enfrentar este momento de vazio e tristeza, sem a urgência de preencher imediatamente nossas vidas com um novo relacionamento. Temos mais chances de, depois de ultrapassada esta fase, estabelecer uma relação mais tranqüila, que vá ao encontro de nossos desejos com mais maturidade.
Ressalta-se que este processo de luto pode demorar algum tempo, já que não se elabora uma perda de uma hora para outra. Até porque existe ainda o “posteriori” o sentimento de culpa pelo rompimento ou a forma hostil do rompimento.
No entanto, se depois de passado muito tempo à pessoa ainda se sentir muito triste e incapaz de estabelecer novos relacionamentos, é indicado que procure ajuda profissional e faça psicoterapia.
Muitas pessoas acabam procurando um Psicanalista ou Psicoterapeuta quando se separam.
A psicanálise pode ajudar nesse processo de crise, sendo uma oportunidade de se questionar , de rever onde podemos ter incorrido em "processos transferênciais" negativos dentro da relação "afetiva" e não ficar paralisado.
Nós somos a "soma" de nossa criação e de nossos relacionamentos anteriores; "O Outro muitas vezes é apenas o nosso Espelho, Nosso Reflexo do que Somos só vemos no Outro" . Fica aqui o ponto a se refletir se isso nos trouxe mais maturidade e amadurecimento suficiente para doação do Amor porque Amor primeiro se doa para depois receber.
Fica a recomendação Importante aos pais, educadores e autoridades públicas que sempre indiquem e recomendem para que busquem ajuda com os profissionais da área de saúde psíquica e comportamental com relação aos jovens e as Mulheres: Pois muita “violência contra a Mulher” poderia ser evitada, é preciso diferenciar e saber que o Amor gera estabilidade, confiança, dedicação e cuidados, nunca punição, violência ou morte. Já as paixões são perigosas e possessivas; algumas terminam em tragédia pela simples falta de uma melhor atenção, acompanhamento e orientação profissional que dever ser procurada pelos pais, educadores e autoridades com antecedência.
“A paixão quase sempre desconhece os limites e sempre chega antes do Amor; O Amor não têm fronteiras, nem distância, nem o tempo o envelhece, só o enobrece e trás confiança, equilíbrio, partilha. Já a Paixão é uma cerca invisível de espinhos onde ambos os lados saem feridos”
Coríntios 13:4-8: “O amor é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece . Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha.”
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