FORMAÇÃO PSICANALÍTICA
A Formação Psicanalítica (segundo a:) Aperj-Rio4 baseia-se no tripé freudiano constituído por análise pessoal, seminários e supervisões.
1 - É necessário estar em análise pessoal em freqüência mínima de três vezes por semana, durante todo o tempo que durar a formação, ou seja, até que todos os trabalhos de conclusão do curso sejam entregues.
2 - Os Seminários tem duração de dez semestres, sendo os dois primeiros anos dedicados ao estudo da Teoria Freudiana. Nos dois anos seguintes são estudadas outras teorias psicanalíticas. O quinto e último ano é dedicado à revisão de Conceitos Básicos e a Seminários sobre Terapia de criança, adolescente, casal e família.
3 - A partir do fim do segundo ano o candidato pode começar a Supervisão Oficial.
Durante todo o Curso de Formação os candidatos são incentivados a participarem das atividades da Sociedade, como uma forma de conhecimento e intercâmbio com todos os membros.
Acreditamos que a transmissão da psicanálise, atividade de grande importância para a instituição, deve ir além do simples aprendizado teórico e clínico, constituindo uma formação permanente de todos os seus membros.
Essa transmissão deve ser enriquecida pela participação de todos na dinâmica institucional, para que a vivência grupal permita o exercício da palavra livre e responsável, fundamental para a nossa prática como cidadãos e psicanalistas.
Com esse espírito estamos abrindo as inscrições para a nossa 4ª turma de formação para médicos e psicólogos. Aquelas pessoas com outras formações profissionais, poderão participar da Aperj como membros colaboradores. Propomos uma transmissão viva e ativa, entrelaçada com outros saberes e sintonizada com as atuais demandas e responsabilidades perante a sociedade maior na qual estamos todos inseridos, sem perder de vista o caráter essencial da contribuição freudiana.
Fonte Consultada: http://www.rio4.org.br/v2/formacao_psicanalitica.asp
AS MUDANÇAS LIGADAS AO TRABALHO ANALÍTICO
Trecho reproduzido do Livro: A Prática Analítica de Thierry Bokanowski
Imago Editora, 2002
O trabalho analítico dá oportunidade ao indivíduo de alcançar um certo número de mudanças que lhe permitem atingir novas modalidades de funcionamento psíquico. Permitindo que ele tenha acesso à sua própria posição subjetiva, tais mudanças dirão essencialmente respeito à modificação de suas relações consigo próprio. Esse movimento de subjetivação, que o ajudará a tomar consciência e a ultrapassar determinados automatismos de repetição em ação desde a sua infância, modificará sensivelmente o destino de seus afetos e de suas representações, ligados aos desejos que dizem respeito simultaneamente aos seus objetos primários e aos de sua história infantil. Isso lhe permitirá flexibilizar suas relações com seu superego, seu ideal de ego, bem como com seu ego ideal, em termos das exigências destes.
Isso o levará a aceitar a diferença entre os sexos e gerações, isto é, a reconhecer os limites do sexo que possui, e a existência do sexo que ele não possui. Também será conduzido a aceitar a irreversibilidade do tempo que passa, a realidade da morte, a ferida narcísica ligada à existência do inconsciente, assim como a humilhação que o aspecto indomável do id provoca... Isso significa aceitar a castração em todas as suas formas, inclusive as que se expressam ou se traduzem pela separação, e, assim, adquirir maior liberdade em sua vida pulsional, e mesmo erótica, maior capacidade de amar, e maiores aberturas para a sublimação. Será preciso para tanto suportar seus movimentos depressivos que o ajudarão a fazer lutos passados e futuros.
Assim, o que é esperado do trabalho analítico é que um dia ele chegue ao ponto em que a função analisante do analista possa ser introjetada pelo indivíduo em análise, e que o término da análise seja marcado por uma capacidade de poder ter certa distância com relação a sim próprio, em outras palavras, poder perceber suficientemente seus movimentos inconscientes. Como escreveu René Diatkine, “tomar distância, adquirir insight, liberar suficiente humor em relação a si próprio e ternura com respeito ao próximo para permitir uma existência mais agradável para si e para os outros”