O poder da “Escuta” é imprescindível para psicanalistas, psicoterapeutas, terapeutas, educadores e principalmente para estudante de psicanálise que deve se desenvolver o poder da Escuta.
Mesmo que o estudante não vá exercer psicanálise em clínica analítica como uma ocupação diária ou ocupação laboral remunerada.
Desde inicio do seu percurso psicanalítico, na sua formação em psicanálise, deverá desenvolver a escuta em sala de aula, nas dinâmicas em grupo, em seu estágio na prática restaurativa e multidisciplinar sob supervisão do seu analista.
Desenvolvemos muito na “Escuta” principalmente ao fazer a nossa “análise” pessoal não só onde o analista vai acolher a sua fala pela “escuta”; mas o permitirá e favorecerá condições para que o analisado desenvolva-se na arte da “Escuta”.
A escuta nos permitirá conhecer melhor a nós mesmos, para ser construída uma ponte para nossa “travessia”. Nós tentarmos auxiliar o “outro” na sua travessia seja de sofrimento, angústia e aflições que na maioria das vezes o que se sabe que foi toda uma vida sem “escuta” e sem fala do inconsciente..
A escuta é que nos mantém em equilíbrio no labirinto de nossas vidas.
No Zen-Budismo, E em algumas religiões e filosofias a “Escuta” é o pilar de contato com a divindade, escuta da palavra, escuta da pregação, escuta dos hinos e canções.
É na escuta e com silêncio que se cria uma trilha ou um único caminho para se chegar à divindade, seja para atendimento de pedidos, preces ou orações.
É na postura de silêncio e humildade que a supomos serem “Escutadas” por um poder superior do bem e maior que todos através da nossa fé, a escuta é essa ponte de “ligação”.
É preciso na vida sempre se escutar. E para o aprendiz de psicanálise é preciso aprender a “Escutar-se” a si mesmo primeiro.
É preciso:
Escutar as autoridades e as leis.
Escutar os Mestres.
Escutar os Professores
Escutar os alunos.
Escutar os Líderes Religiosos
Escutar nossos amigos.
Escutar nossos pais ou representantes dos mesmos.
Escutar nossos filhos.
E é somente nessa travessia da “Escuta” que vamos aprender a caminhar com equilíbrio e sabedoria onde o escutar nos ensina a ver o que ninguém mais vê.
Quando não se desenvolve a escuta, fica em evidência nossa impossibilidade e dificuldade de interagir para “escutar” fidelizar parceria analítica.
Por isso é imprescindível terapeutizar-se (analiticamente) para aprendermos a “escuta” que nos ensina a ver.
Aqui escutar é no sentido para “pensarmos e filosofarmos”.
Você sabe Escutar?
“Escutar” é deixar o outro falar livremente sem tentar impor a minha opinião, julgo ou visão do meu suposto saber.
É essencial na sua formação analítica e a todo seu percurso psicanalítico.
Que concientize-se que escuta nos ensina a ler e interpretar a linguagem da Alma, do inconsciente da humanidade.
É na “escuta” que aprendemos a ver os atos falhos, chistes, lapsos de memória e o uso da linguagem “antitética” das palavras.
Na “escuta” em que desejos reprimidos, recalcados ou melancólicos encontram uma travessia terapêutica sem contra-indicações ou efeitos colaterais embora não exista “análise” sem resistência ou algum sofrimento psicossomático ou abstrato.
A escuta é uma arte que exige treinamento, disciplina e aprimoramento continuado que infelizmente nem sempre nos atemos para sua grande valia.
A escuta nos ensina a ver sempre através das palavras e gestos a linguagem do inconsciente.
Afinal “O Corpo Fala” e a escuta nos ensina a ver o que quase ninguém mais vê.
Embora a palavra seja o objeto da Psicanálise pelo qual o inconsciente pode se comunicar-se ou expressar-se. Sem a escuta do analista não existe psicanálise.
Sem a escuta do aluno ao Mestre ou o professor não existe quase nenhuma aprendizagem.
É preciso aprender a escutar, e essa trilha muitas vezes é solitária e poucos de nós sabem escutar sem retrucar ou opinar uma palavra.
Onde no processo analítico a intervenção do analista numa “fala” sempre deveria ser para que o analisado se posicionar ou ver por outros horizontes.
O analista não dever julgar, recriminar, culpar a nenhum tipo de escuta.
É de suma importância da “fala” do analisado, que também deverá estar atento também a fala do psicanalista nas “sessões” como forma de auxiliar na travessia dos conteúdos do inconsciente do analisado.
Nas sessões de análise a “palavra/falada”, é importante, mas a escuta do analista deve estar afinada e fidelizada aos conteúdos seja o que for conteúdos reprimidos, recalcados, medos ou fobias que possam vir através da associação livre de idéias.
Essa é a máxima Freudiana, a escuta através da liberdade de associações livres de idéias, que oportuniza a “fala x escuta”.
É somente com muita dedicação e disciplina que podemos desenvolver o “Poder da Escuta”.
As doenças psicossomáticas ou reações somáticas simbólicas de nosso corpo desde que descartadas as possibilidades (clínicas, Infecciosas e orgânicas) nessas manifestações psicossomáticas só pode iniciar alguma forma de tratamento através da escuta.
No exercício de diversas profissões, cargos podemos aperfeiçoar-se e amadurecer com respeitabilidade e credibilidade quando utilizamos a escuta para aprender a ver com sabedoria a praticidade do conhecimento.
"O primeiro dever do amor é escutar."
Paul Tillich
Filósofo Alemão (1886/1965)
Luiz Mariano é Psicanalista e Professor de Qualificação
Procurador do I.B.F. Vinculado ao Ministério da Justiça – MJ
Especialista em Psicossomática
www.drluiz.com
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