{"id":1064,"date":"2018-06-14T10:39:54","date_gmt":"2018-06-14T13:39:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abmpdf.com\/?p=1064"},"modified":"2018-06-14T10:39:54","modified_gmt":"2018-06-14T13:39:54","slug":"a-crianca-sintoma-dos-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmpdf.com\/?p=1064","title":{"rendered":"A Crian\u00e7a Sintoma dos Pais"},"content":{"rendered":"<p><strong>Psican\u00e1lise dos pais<\/strong><\/p>\n<p><strong>A crian\u00e7a sintoma dos pais<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O paciente \u00e9 mero sintoma dos problemas dos pais<strong>, <\/strong>e<strong>, <\/strong>para se compreender a psicose \u00e9 necess\u00e1rio situar como o sujeito (desde antes do nascimento) foi preso a um conjunto de palavras parentais.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as que, muito cedo, submetem-se a palavras \u201cmal\u00e9ficas,\u201d podem desenvolver transtornos psic\u00f3ticos graves.<\/p>\n<p>Por\u00e9m teremos ai dois princ\u00edpios b\u00e1sicos em que de verdade um cobre o outro. Nenhum louco se faz em uma \u00fanica gera\u00e7\u00e3o, exceto diante de traumatismos graves, sen\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios varias gera\u00e7\u00f5es para surgir um doente ps\u00edquico na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Para Mannoni, a doen\u00e7a \u00e9 um sintoma que denuncia o estado ps\u00edquico em que o sujeito foi concebido, gerado e \u201calimentado\u201d em seu desenvolvimento ps\u00edquico (ICS).<\/p>\n<p>Bem antes de vir ao mundo, antes mesmo dos pais se conhecerem, a base da trama Ed\u00edpica est\u00e1 pronta, pois, \u00e0 medida que os pais tecem seus projetos, inclusive a dos filhos, estes est\u00e3o com a sorte lan\u00e7ada. Certo \u201cfeixe\u201d de palavras \u00e9 o discurso repetitivo sintom\u00e1tico, que alimenta a estrutura neur\u00f3tica e que possibilita, faculta a psicose.<\/p>\n<p>Na medida em que se consegue desarticular o discurso parental, que mant\u00e9m os votos, os or\u00e1culos ou os juramentos que sustentam a aliena\u00e7\u00e3o do desejo do filho, \u00e9 que este come\u00e7ara a ter acesso ao pr\u00f3prio desejo, essa aliena\u00e7\u00e3o funciona como esp\u00e9cie de remendo do \u00c9dipo dos pais que projetam sobre seus filhos.<\/p>\n<p>Como o filho pode querer desejar, se o desejo dos pais ou de um deles \u00e9 t\u00e3o imperativo, que s\u00f3 lhe resta uma sa\u00edda; a) da conformidade, b) da c\u00f3pia ou c) de se opor. O desejo dos \u201cPais\u201d interdita anula a palavra e o \u00a0desejo do (sujeito\/Filho).<\/p>\n<p>H\u00e1 palavras que s\u00e3o realmente mal-ditas, no sentido como entendemos de maldi\u00e7\u00e3o. Maldi\u00e7\u00e3o essa que n\u00e3o vem de Deus, e sim da for\u00e7a da palavra do pai e da m\u00e3e.<\/p>\n<p>O filho sob essa palavra mal-dita tem pouca chance de acessar seu pr\u00f3prio desejo, por\u00e9m, \u00e0 medida que tal palavra \u201cmaldita\u201d for detectada no discurso que representa o desejo dos pais, ou de um deles, (genitor patog\u00eanico), proporcionalmente, ocorrer\u00e1 uma desimpress\u00e3o dessa \u201cmarca ao n\u00edvel do corpo da crian\u00e7a\u201d e o acesso a um corpo simb\u00f3lico ser\u00e1 permitido.<\/p>\n<p>O desejo constitui o sujeito, por\u00e9m, para se ter acesso ao mesmo \u00e9 necess\u00e1rio que a palavra seja liberada, pois, ela est\u00e1 bloqueada por um \u201cfeixe de palavras parentais\u201d, que ao exprimir o desejo dos pais encobrem o desejo do filho, assim estamos diante de crian\u00e7as \/ filhos que quando \u201cadultos\u201d ser\u00e3o insatisfeitos e angustiados.<\/p>\n<p>Alguns filhos (as) s\u00e3o meros prisioneiros dos desejos de seus pais ou de parentes. Diante disso, \u00fanica sa\u00edda que resta sob essa intrus\u00e3o parcial ou maci\u00e7a, \u00e9 responder como sendo um sintoma dela.<\/p>\n<p>Entre ter que responder ao desejo parental, e o vislumbre de poder despertar o seu pr\u00f3prio desejo, est\u00e3o os geradores de conflitos, de onde brotam uma cascata infinita de patologias poss\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mannonni (1967:177) reduz esse discurso parental em duas chaves: <\/strong><\/p>\n<p><strong>1\u00ba Um discurso fechado<\/strong><\/p>\n<p><strong>2\u00ba Um discurso dram\u00e1tico.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Discurso fechado: <\/strong>Compreende-se discurso fechado como o \u201cmito familiar\u201d, ou, como Lacan descrevia os \u201ccomplexos familiares\u201d. O mito \u00e9 a forma mais primitiva de se fazer \u201cci\u00eancia\u201d. No caso \u00e9 como a fam\u00edlia concebe sua hist\u00f3ria independente do real. \u00c9 a leitura que a fam\u00edlia faz para poder se adaptar as ang\u00fastias do retorno do recalcado.<\/p>\n<p>\u201cDiscurso fechado\u201d porque \u00e9 sempre o retorno do mesmo e a \u00fanica leitura atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es. A crian\u00e7a doente \u00e9 o representante ou o suporte do mal estar parental, mal estar este que se mant\u00e9m fechado, (oculto). (Ibid.: 116).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise permite romper essa seq\u00fc\u00eancia, impedindo que as novas gera\u00e7\u00f5es sejam vistas sob os mesmos \u00e2ngulos e taras familiares.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise \/ psican\u00e1lise permite a ruptura dessa continuidade, possibilitando aos pais, aos filhos, na interpreta\u00e7\u00e3o desse mito, uma nova leitura, que ir\u00e1 permitir um rearranjo do que se est\u00e1 inconsciente, levando a uma desarticula\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos patog\u00eanicos, favorecendo a estrutura\u00e7\u00e3o de novas cadeias n\u00e3o patog\u00eanicas, assim o surgimento de novos significantes<\/p>\n<p><strong>Tudo que se imp\u00f5e pela linguagem dos pais,<em> selam<\/em> o passado, impedindo o filho de ser portador do seu pr\u00f3prio desejo. Frases \u201cmal-ditas\u201d:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>&#8211; \u201c\u2018Meu filho n\u00e3o dorme\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; \u201cEle \u00e9 nervoso porque toda a minha fam\u00edlia \u00e9 nervosa\u201d.<\/p>\n<p>-\u201dEle faz xixi na cama com oito anos porque eu tamb\u00e9m fiz\u201d.<\/p>\n<p>-\u201cVou ter c\u00e2ncer porque as mulheres da minha fam\u00edlia morrem de c\u00e2ncer<strong>\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00c9 por n\u00e3o poder se situar em rela\u00e7\u00e3o aos pais que a crian\u00e7a desenvolve seus sintomas. \u00c9 na interdi\u00e7\u00e3o do incesto, que separando a crian\u00e7a da lei da m\u00e3e, permitindo o acesso a lei do pai, que consiste o advento da ordem, da cultura e da linguagem. Freud insiste sobre o Edipo, que nada pode ser articulado sobre a sexualidade do homem, se n\u00e3o passar pela lei da simboliza\u00e7\u00e3o. (O que \u00e9 rejeitado no simb\u00f3lico reaparece no mundo exterior, real, sob forma de alucina\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Ao receber os pais na terapia, \u00e9 importante discriminar qual a demanda dos pais e qual a demanda do filho. Como a demanda se articula com o significante, sempre ser\u00e1 a demanda de outra coisa, sendo que o desejo aparece como suporte daquilo que quer dizer a demanda, al\u00e9m daquilo que ela formula.<\/p>\n<p>O traquejo do analista o conduzir\u00e1 a escutar o que o discurso dos pais ou de ambos transmitem. Qual o genitor \u00e9 patog\u00eanico, e, verificar com o tempo que lugar a crian\u00e7a ocupa na estrutura ed\u00edpica dos pais, e \u00a0de si mesma\u00a0 onde faz a representa\u00e7\u00e3o no \u00c9dipo n\u00e3o resolvido dos \u201cpais\u201d .<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sintomas que s\u00e3o sempre e invariavelmente sintomas de um discurso fechado: <\/strong>Estar mal na escola, irrequieto, hipercin\u00e9tico, dorminhoco, pregui\u00e7oso, agressivo, mordedor, alheio a tudo, desligado, incapacidade de concentra\u00e7\u00e3o, escrupuloso, lavar as m\u00e3os sem parar, trocar de letra, dificuldade em se alfabetizar, problemas com a matem\u00e1tica, indisciplina na escola, inibi\u00e7\u00f5es, inseguran\u00e7as, insociabilidades, sexualidade hipertrofiada, masturba\u00e7\u00e3o continua, droga, fumo e outros sintomas.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a nasce na absoluta indiferencia\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os pais que lhes fornecem significantes que estruturam e fixam a diferen\u00e7a sexual subjetiva.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do psic\u00f3tico tem a haver, face ao desejo, uma rela\u00e7\u00e3o, com a maneira de como ele \u00e9 chamado a ocupar uma posi\u00e7\u00e3o na constela\u00e7\u00e3o familiar. Basta um louco para expiar e assim preservar o \u201cequil\u00edbrio\u201d da fam\u00edlia e dos pais. O doente instalando-se no n\u00e3o desejo cumpre de fato o voto profundo da fam\u00edlia. (Ibid.: 127, 128).<\/p>\n<p><em>Isto \u00e9 t\u00e3o verdade que quando a an\u00e1lise alcan\u00e7a uma mudan\u00e7a nesse quadro, e, o filho doente se recupera, outro membro da fam\u00edlia adoece.<\/em><\/p>\n<p>Pelas constata\u00e7\u00f5es clinica, o quadro, deposit\u00e1rio do mundo fantas\u00edstico do paciente, deve tornar-se objeto de an\u00e1lise, permitindo que se desatem os la\u00e7os psic\u00f3ticos e se estabele\u00e7a a palavra do paciente \u00a0(crian\u00e7a) com a institui\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, onde se inscreve o territ\u00f3rio \u00a0(?) ou social do sujeito. (Mannoni).<\/p>\n<p><em>Analisar o quadro e expor o que na imagem corporal do paciente ficou espeda\u00e7ado. (Ibid.: 139)<\/em><\/p>\n<p><strong>Discurso dram\u00e1tico<\/strong>: Esse discurso estar\u00e1 sempre ligado ao tema do abandono, de morrer e da condena\u00e7\u00e3o. O drama a que estamos submetidos n\u00e3o \u00e9 o da doen\u00e7a da crian\u00e7a, e sim o drama de se existir para os pais.<\/p>\n<p>Trata-se de um epis\u00f3dio real ou imagin\u00e1rio, mas de qualquer modo violento, disruptivo, que ir\u00e1 implantar no inconsciente um n\u00facleo pat\u00f3geno, qual um vulc\u00e3o adormecido que diante de situa\u00e7\u00f5es precisas, retornar\u00e1 com a ang\u00fastia suficiente para abalar o sujeito.<\/p>\n<p>O discurso dram\u00e1tico toma a forma de amea\u00e7as, cat\u00e1strofes, fim do mundo, violenta\u00e7\u00e3o e morte. Drama sempre ligado ao trauma, que consiste de que a crian\u00e7a tem que se separar da m\u00e3e.\u00a0 Esse trauma ser\u00e1 mais aberto para uma solu\u00e7\u00e3o, quanto mais \u00e0 m\u00e3e se abrir aos efeitos da fun\u00e7\u00e3o paterna. \u00c9 o caso em que o que a m\u00e3e ao faz do discurso do pai, diz Lacan, que vai permitir que a crian\u00e7a passe por esse trauma de maneira equilibrada ou desastrosa.<\/p>\n<p>O analista deve saber esquadrinhar o quadro da concep\u00e7\u00e3o, do nascimento e o desenvolvimento da crian\u00e7a. O trauma \u00e9 inevit\u00e1vel e o que a cl\u00ednica demonstra \u00e9 que ele no m\u00ednimo deixa sua marca, para uns mort\u00edferos e para outros menos dram\u00e1ticos. (Pela psican\u00e1lise isso pode diferenciar neurose da psicose).<\/p>\n<p>O trauma forma o chamado n\u00facleo patog\u00eanico. Como todo pat\u00f3geno gera infec\u00e7\u00f5es. Esse n\u00facleo consiste em concentra\u00e7\u00f5es endurecidas, cristalizadas de significantes que n\u00e3o circulam livremente nas redes inconscientes e chegando a n\u00f3s pelas manifesta\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Esse n\u00facleo patog\u00eanico, precisa de interven\u00e7\u00f5es adequadas, desfolhando aos poucos, para que possa circular livremente suas redes de significantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A pr\u00e1tica da analise dos pais<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Receberemos os pais e n\u00e3o a crian\u00e7a em an\u00e1lise; em casos extremos, casos avan\u00e7ados de crian\u00e7as francamente psic\u00f3ticas, ou casos de limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, como a crian\u00e7a que nasceu sem o centro do controle do sono ap\u00f3s excessiva interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, n\u00e3o tendo uma imagem unificada do corpo aos cinco anos, e, por conseq\u00fc\u00eancia n\u00e3o conseguir alcan\u00e7ar a forma\u00e7\u00e3o do Eu.<\/p>\n<p>Reconhecemos os pais como os formadores e educadores da subjetividade dos filhos. Quando surgem os sintomas, percebe-se que algo na trama de significantes parentais est\u00e1 emperrada, e, desde que esses pais n\u00e3o sejam perversos ou extremamente rebaixados intelectualmente, a an\u00e1lise dos mesmos deve ser tentada.<\/p>\n<p>A puls\u00e3o est\u00e1 em busca da satisfa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, devido sua plasticidade e indetermina\u00e7\u00e3o quanto ao fim, \u00e9 necess\u00e1rio a condu\u00e7\u00e3o das mesmas pelos pais. Quando isso n\u00e3o ocorre n\u00e3o teremos a hominiza\u00e7\u00e3o (aquisi\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter ou atributos humanos), ficando assim sem oportunidade de sublima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Freud n\u00e3o hesita em afirmar que a civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da repress\u00e3o<\/em>. Isto psicanaliticamente quer dizer que a castra\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00fanico instrumento de normativiza\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o, e \u00e9 ela que permite que o sujeito seja sujeito, e, usufrua de um estado ps\u00edquico o menos neur\u00f3tico poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na escuta dos pais \u00e9 importante detectar como a fun\u00e7\u00e3o paterna agiu ou est\u00e1 agindo.<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Qual a posi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a no \u00c9dipo?<\/li>\n<li>Onde falha a triangula\u00e7\u00e3o: Do lado do pai, do lado da m\u00e3e ou de ambos? <strong>Ou representantes simb\u00f3licos: av\u00f3s, babas ou empregada dom\u00e9stica<\/strong><\/li>\n<li>Qual o genitor patog\u00eanico?<\/li>\n<li>Haveria uma invers\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o triangular, pendendo para o lado do pai ou da m\u00e3e? <strong>Ou do representante simb\u00f3lico no \u00c9dipo aberto. <\/strong><\/li>\n<li>Que posi\u00e7\u00e3o ocupa a m\u00e3e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o paterna? <strong>H\u00e1 casos que a m\u00e3e n\u00e3o existe com sua fun\u00e7\u00e3o (simb\u00f3lica) e apresenta ou nomeia o pai ou (outros \u00a0ou terceiros) mesmo sem v\u00ednculos parentais.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Nunca nos esque\u00e7amos de que tudo depende da m\u00e3e \u201c&#8230; \u00e9 o caso que ela faz da palavra do pai\u201d. <strong>No fundo as patologias dependem do posicionamento da m\u00e3e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o paterna.<\/strong><\/p>\n<p>No caso de uma m\u00e3e solteira (teoricamente) ou produ\u00e7\u00e3o independente, a fun\u00e7\u00e3o paterna pode-se fazer valer introduzindo uma figura masculina, seja um parente, amigo ou conhecido. Lembrar que a fun\u00e7\u00e3o paterna \u00e9 da ordem do simb\u00f3lico, e, vai estar presente sempre que a diferen\u00e7a sexual for respeitada.<\/p>\n<p>O gozo \u00e9 determinante no desvelamento do sintoma. Ao saber desmontar o gozo onde ele se apresenta, o sintoma pode vir a desaparecer pelo efeito <em>posteriore<\/em>.<\/p>\n<p>Na briga entre irm\u00e3os, que \u00e9 algo saud\u00e1vel, sempre vem acompanhado do gozo de ver os pais a tomar partido por um deles.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es do analista ser\u00e3o sempre e exclusivamente no discurso dos pais. Por mais que os pais insistam, n\u00e3o se preocupar com a queixa, e sim com os sintomas que ser\u00e3o os guias, significantes que remetem a crian\u00e7a a outros sintomas e significantes.<\/p>\n<p><strong><em>A an\u00e1lise busca sempre o sentido da retifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es ed\u00edpicas, que permite integrar as rela\u00e7\u00f5es subjetivas<\/em><\/strong><em>. <\/em>Tanto \u00e9 verdade que o efeito sobre o filho acontece a partir da mudan\u00e7a subjetiva dos pais, sem que se tenha de agir no \u201creal\u201d, <strong>isso talvez evitaria a maldi\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 ocorre trabalho no inconsciente, quando trabalhamos suas manifesta\u00e7\u00f5es, ou, o rearranjo de suas redes de significante s\u00f3 acontece pela interven\u00e7\u00e3o na transfer\u00eancia, cuja conseq\u00fc\u00eancia nos escapa. S\u00f3 a posteriore poderemos constatar se a interven\u00e7\u00e3o foi capaz.<\/p>\n<p>Lacan dizia que quando o paciente se cura \u00e9 apesar dos analistas, pois, no retorno do paciente que percebemos que a efic\u00e1cia simb\u00f3lica agiu onde nos nem pensamos que agiria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas sinais que constatam que a an\u00e1lise caminha bem.<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Primeiro, a agrava\u00e7\u00e3o do sintoma.<\/li>\n<li>Segundo, \u00e9 o aparecimento da agressividade.<\/li>\n<li>Terceiro, quando a \u2018\u201ccrian\u00e7a problema\u201d deixa de ocupar o lugar de doente, ou de \u201cbode expiat\u00f3rio\u201d da fam\u00edlia e outro membro adoece.<\/li>\n<\/ul>\n<p>(<em>A cura em psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 cura clinica m\u00e9dica, cura alop\u00e1tica, e<\/em> <em>nem promessa de cura, \u00e9 a resignifica\u00e7\u00e3o do sintoma ou da neurose do sujeito em an\u00e1lise no seu inconsciente, e, sua estrutura no complexo de \u00c9dipo). <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>A an\u00e1lise desaloja a crian\u00e7a do lugar que ela ocupa no real, onde ela <strong>\u00e9 (objeto) da fantasia da m\u00e3e,<\/strong> e assim ela tampa a ang\u00fastia, ou enche a falta da m\u00e3e. O que se pode fazer \u00e9 ajudar o genitor patog\u00eanico a quem a crian\u00e7a est\u00e1 ligado.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o da palavra \u00e9 revelar (re-velar), trazer a verdade do sintoma \u00e0 luz, descobrindo o n\u00facleo pat\u00f3geno que o sintoma encobre.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A palavra certa na hora certa da transfer\u00eancia dissipa o n\u00facleo pat\u00f3geno, a rede de significantes se destrava do discurso fechado, e a verdade libertadora passa a circular<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>O processo anal\u00edtico deve ter em conta que a demanda \u00e9 a demanda de outra coisa. Na verdade \u00e9 a demanda de uma ordena\u00e7\u00e3o subjetiva, que os pais n\u00e3o acessam. (objeto)<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise dos pais, al\u00e9m da retifica\u00e7\u00e3o ed\u00edpica, fun\u00e7\u00e3o paterna, deve-se levar em conta que a retifica\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se formos \u00e0 busca da Lei.<\/p>\n<p>O homem se faz pela lei da fala, pois sem ela a puls\u00e3o fica desatada, enlouquece, n\u00e3o h\u00e1 desejo, n\u00e3o humaniza. Sem Lei o humano degenera e n\u00e3o se socializa.<\/p>\n<p>S\u00f3 a castra\u00e7\u00e3o garante a \u00e9tica do desejo (n\u00e3o ceder\u00e1s ao desejo uma vez que o conhece), o acesso a ele ou sua renuncia consciente, sublimante, \u00e9 a sua poss\u00edvel realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todo o casal que procura a an\u00e1lise por causa dos filhos, ap\u00f3s algumas sess\u00f5es passa a tratar dos verdadeiros problemas, os problemas de relacionamento conjugal. <em>Escutar o casal onde ele n\u00e3o consegue mais se escutar. Descobrir na escuta dos pais quais s\u00e3o os significantes o mito familiar, quais ao os significantes que organizam e movimentam a fam\u00edlia, aqueles que freiam a crian\u00e7a em seu desenvolvimento ps\u00edquico, \u00e9 uma descoberta preciosa. Tudo pode mudar a partir dai na vida da crian\u00e7a sem que sequer o vejamos.<\/em><\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o paterna \u00e9 o eixo ao redor da qual toda a an\u00e1lise gira. \u00c9 a fun\u00e7\u00e3o paterna que opera a separa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a do desejo da m\u00e3e, e, ipso facto, lhe possibilita que seu desejo se constitua no inconsciente, e a partir da\u00ed nasce o (sujeito) assim para que ele possa se tornar por sua vez um ser desejante (individual) , isto \u00e9, um sujeito de posse do seu desejo sem o sintoma dos \u201cPais\u201d e que possa discernir seu desejo pela sua palavra.<\/p>\n<p>Toda a an\u00e1lise se baseia no principio da castra\u00e7\u00e3o, que Lacan colocou lucidamente na articula\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o paterna.<\/p>\n<p>O sintoma da crian\u00e7a colmata (tapa fendas, brechas, aterra), no discurso familiar, o vazio onde a verdade que n\u00e3o \u00e9 dita \u00e9 criada, fantasiada. Assim o sintoma \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0queles que t\u00eam que se proteger contra o saber da verdade em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ai a autora conclui dentro da mais pura l\u00f3gica da sua concep\u00e7\u00e3o \u201c&#8230; a querer tratar o sintoma, \u00e9 a crian\u00e7a que se rejeita\u201d. (Ibid. 184)<\/strong><\/p>\n<p>M\u00f3dulo N\u00ba 15 CURSO MD \u2013 Psican\u00e1lise dos pais-crian\u00e7a sintoma dos pais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dr. Jos\u00e9 Carlos M. M. de Carvalho<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Dentista e Psicanalista do Percurso da ABMP-DF<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.abmpdf.com\">www.abmpdf.com<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psican\u00e1lise dos pais A crian\u00e7a sintoma dos pais &nbsp; O paciente \u00e9 mero sintoma dos problemas dos pais, e, para se compreender a psicose \u00e9 necess\u00e1rio situar como o sujeito (desde antes do nascimento) foi preso a um conjunto de palavras parentais. Crian\u00e7as que, muito cedo, submetem-se a palavras \u201cmal\u00e9ficas,\u201d podem desenvolver transtornos psic\u00f3ticos graves. 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