{"id":1689,"date":"2023-11-19T12:41:17","date_gmt":"2023-11-19T15:41:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abmpdf.com\/?p=1689"},"modified":"2023-12-31T15:46:56","modified_gmt":"2023-12-31T18:46:56","slug":"porque-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmpdf.com\/?p=1689","title":{"rendered":"PORQUE A GUERRA?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u201cPor que a guerra?\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Curiosamente, em 1932, Freud foi escolhido por Albert Einstein, o pai da f\u00edsica moderna<\/strong>, para responder esta quest\u00e3o. Isso foi poss\u00edvel porque o Comit\u00ea Permanente para a Literatura e as Artes da Liga das Na\u00e7\u00f5es orientou o Instituto Internacional para Coopera\u00e7\u00e3o Intelectual a promover cartas entre intelectuais de renome a respeito de assuntos do interesses comuns \u00e0 Liga das Na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas missivas foram publicadas em Paris, em 1933, em alem\u00e3o, franc\u00eas e ingl\u00eas simultaneamente, tendo sua circula\u00e7\u00e3o sido proibida na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Einstein questionava se havia alguma forma de livrar a humanidade da amea\u00e7a da guerra e chegou a declarar que Freud &#8211; por ser o criador da teoria, um estudioso do psiquismo humano e conhecedor da vida instintiva do homem &#8211; poderia elucidar e sugerir m\u00e9todos educacionais que demarcassem caminhos e a\u00e7\u00f5es que resolveriam o problema, a ponto de tornar imposs\u00edvel qualquer conflito armado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ele desejava saber como seria poss\u00edvel, a aus\u00eancia da guerra, a paz mundial \u00e0 luz da Psican\u00e1lise.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antecipando-se \u00e0 resposta de Freud, ele afirma que as guerras ocorrem devido \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edticas, psicol\u00f3gicas, sociais, culturais e econ\u00f4micas, explanando-as a partir das seguintes id\u00e9ias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; pela aus\u00eancia de um organismo internacional poderoso e parcial que congregasse as na\u00e7\u00f5es que se submeteriam \u00e0s decis\u00f5es legislativas e judici\u00e1rias julgadas por ele em nome da paz e do bem comum;<a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&#8211; pelo desmedido desejo de poder dos governantes;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; pela gan\u00e2ncia dos grupos econ\u00f4micos, principalmente os da ind\u00fastria b\u00e9lica, que encontram na guerra a chance de expandir neg\u00f3cios e autoridade;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; pelo poder de controle das classes dominantes que utilizam a imprensa, as escolas e a Igreja a seu servi\u00e7o;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; por um sentimento de \u00f3dio e desejo de destrui\u00e7\u00e3o que o homem traz dentro de si que opera de v\u00e1rias formas e em diversas circunst\u00e2ncias, tais como: guerras civis, intoler\u00e2ncia religiosa, nas quest\u00f5es sociais, nas persegui\u00e7\u00f5es das minorias sociais, etc &#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Habilmente, Freud se desvencilhou da responsabilidade de propor medidas pr\u00e1ticas e endossando o que fora colocado por Einstein,<\/strong> anunciou que seguiria seu rastro, ampliando-o com seus conhecimentos ou conjecturas psicanal\u00edticas. Responde a quest\u00e3o a partir de duas das suas in\u00fameras teoriza\u00e7\u00f5es sobre a subjetividade humana:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; a viol\u00eancia humana \u00e9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do homem, manifesta-se em todos os conflitos de rela\u00e7\u00e3o a partir do processo mais remoto de socializa\u00e7\u00e3o;<br>&#8211; o homem \u00e9 mobilizado por dois instintos ou puls\u00f5es, cujas atividades s\u00e3o opostas entre si: a puls\u00e3o construtiva, er\u00f3tica ou Eros e a puls\u00e3o destrutiva, de morte ou Tanatos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recordando \u201cTotem e Tabu\u201d &#8211; escrito em 1913, \u00e0s v\u00e9speras da I Grande Guerra (1914-1918).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;\u2013 Freud afirma que o poder \u00e9 conquistado e mantido com a viol\u00eancia, que inicialmente se restringia \u00e0 for\u00e7a muscular, substitu\u00edda pela capacidade intelectual de construir e ter mais destreza no manejo de novas armas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A finalidade era subjugar o advers\u00e1rio, tirando-lhe a vida ou dominando-o pela escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O vitorioso deveria estar atento \u00e0 pr\u00f3pria integridade f\u00edsica, garantindo que o escravo se sentisse intimidado a controlar seu desejo de vingan\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A seu turno, os derrotados unidos descobriram uma for\u00e7a que poderia ser transformada em lei ou direito de uma comunidade em detrimento do interesse de um s\u00f3. Para que esse poder comum pudesse ser duradouro, institu\u00edram regras, puni\u00e7\u00f5es e o desenvolvimento dos v\u00ednculos emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segundo Freud, o crescimento dos grupos em sociedade aconteceu mantendo-se o desequil\u00edbrio das for\u00e7as entre pais e filhos, homens e mulheres, senhores e escravos,<\/strong> reproduzindo-se, inclusive, na justi\u00e7a da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A lei \u00e9 feita de acordo com os interesses dos governantes, contemplando muito pouco aos que se encontrava em estado de sujei\u00e7\u00e3o, o que certamente causa insatisfa\u00e7\u00f5es e intranq\u00fcilidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os detentores do poder se colocam acima da lei e fazem uso da viol\u00eancia, enquanto que os dominados do grupo buscam mais poder e igualdade de justi\u00e7a, gerando conflitos, rebeli\u00f5es e at\u00e9 guerras civis em nossos dias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim como ocorre dentro de uma mesma comunidade, esses conflitos podem acontecer entre comunidades diferentes, entre na\u00e7\u00f5es ou entre confedera\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Baseando-se no texto \u201cAl\u00e9m do princ\u00edpio do prazer\u201d \u2013 escrito em 1920 &#8211; Freud aprofunda o que Einstein chamou de desejo de \u00f3dio e destrui\u00e7\u00e3o do ser humano, falando sobre Eros e Tanatos,<\/strong> oposi\u00e7\u00e3o entre amor e \u00f3dio, atra\u00e7\u00e3o e repuls\u00e3o, preservar e destruir, entre vida e morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Explica que um instinto est\u00e1 amalgamado ao outro e muito embora haja a predomin\u00e2ncia do instinto de morte, ambos s\u00e3o essenciais e atuam concomitantemente nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do que haveria nos conflitos b\u00e9licos ou n\u00e3o motivos nobres ou vis, declarados ou ocultos, idealistas ou mercen\u00e1rios, mas eles apenas serviriam de fachada para os desejos destrutivos inconscientes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;TANATOS \u2013 O GOZO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estes textos, escritos em per\u00edodos que precedem e sucedem a um grande conflito mundial, s\u00e3o fortemente marcados pelas experi\u00eancias do pai e sogro que vivenciou as ang\u00fastias e incertezas de quem espera not\u00edcias dos seus no front, <strong>bem como do analista e pensador de seu tempo atento aos lutos, melancolias, neuroses de guerra e aos corpos mutilados resultantes da atua\u00e7\u00e3o de Tanatos numa escala coletiva.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo apontando para a coexist\u00eancia natural de opostos e a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7a entre eles, Freud, <\/strong>provavelmente <strong>contaminado pela m\u00e1xima judaica \u201cde que \u00e9s p\u00f3 e ao p\u00f3 voltar\u00e1s<a><\/a>,<\/strong> pelos acontecimentos hist\u00f3ricos a sua volta, pela inexorabilidade da morte biol\u00f3gica e pela compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de seus pacientes, num tom de rendi\u00e7\u00e3o, constata quase que a supremacia de Tanatos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A atua\u00e7\u00e3o de Tanatos \u00e9 inversa \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de Eros e tanto um como outro podem direcionar seu poder de a\u00e7\u00e3o para o indiv\u00edduo ou para a coletividade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Os conflitos pessoais do homem ao longo de sua exist\u00eancia s\u00e3o causa e efeito dos conflitos maiores que t\u00eam ocorrido na humanidade ao longo de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A viol\u00eancia civil e as guerras reproduzem no macrocosmo os embates que ocorrem no microcosmo de qualquer grupo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualizando para este momento a quest\u00e3o de Einstein e as opini\u00f5es de ambos cientistas, o que se pode observar \u00e9 que se vive o gozo da compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenrolar dos fatos mostra que o homem individual e coletivamente, para al\u00e9m do sintoma \u2013 que \u00e9 n\u00f3 de palavra, met\u00e1fora e, portanto, submete-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o e \u00e0 simboliza\u00e7\u00e3o &#8211; vive e mant\u00e9m o gozo que escraviza, anula e gera sofrimento.<br><br>Os \u00faltimos acontecimentos, no dia 11 de setembro causaram o maior impacto na opini\u00e3o p\u00fablica e na economia mundial dos \u00faltimos tempos. Nesta aldeia global magnetizada pela tela da televis\u00e3o e do computador, s\u00f3 n\u00e3o viu \u201ccom os olhos que a terra h\u00e1 de comer\u201d, aquelas imagens impressionantes e inacredit\u00e1veis, \u201cao vivo e a cores\u201d, quem \u00e9 cego, j\u00e1 morreu ou foi proibido pelo Talib\u00e3. Instantaneamente, os notici\u00e1rios, as revistas, os jornais e os correios eletr\u00f4nicos explodiram em informa\u00e7\u00f5es, articula\u00e7\u00f5es, elabora\u00e7\u00f5es, previs\u00f5es e simboliza\u00e7\u00f5es do que aconteceu e do que viria acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es eram t\u00e3o ambivalentes quanto os sentimentos n\u00e3o assumidos<a><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado o acontecido indignava por significar a barb\u00e1rie de ceifar vidas humanas civis, na rotina di\u00e1ria em seu ambiente de trabalho e sensibilizava por se pensar na ang\u00fastia daqueles que tiveram tempo de perceber o que estava acontecendo e por se imaginar a dor e o sofrimento dos familiares das v\u00edtimas, tamb\u00e9m havia \u201cuma esp\u00e9cie de gozo inconfess\u00e1vel, sinistro<a><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal de contas, aquele que se colocava como o dominador, poderoso, desp\u00f3tico, manipulador, cruel e que gozava de todos, tal qual o pai de \u201cTotem e Tabu\u201d, finalmente se revelava como uma farsa do seu pr\u00f3prio imagin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Era vulner\u00e1vel, poderia tamb\u00e9m ser atingido e experimentar o desconforto, a impot\u00eancia, a perplexidade do dominado como ocorre na rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica do senhor e do escravo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se viu parecia com as tomadas cinematogr\u00e1ficas, lembrava as imagens forjadas pelos t\u00e9cnicos em efeitos especiais da s\u00e9tima arte.<\/p>\n\n\n\n<p>O rico imagin\u00e1rio hollywoodiano atrav\u00e9s de seus profetas eletr\u00f4nicos colocou na tela a destrui\u00e7\u00e3o da metr\u00f3pole americana em v\u00e1rios filmes, sendo Armageddon, Godzilla, Independence Day, Nova York sitiada e Day After os mais recentes<a><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Se fosse um sintoma, \u00e9 poss\u00edvel que a significa\u00e7\u00e3o talvez estivesse no saber boicotado de que a onipot\u00eancia \u00e9 virtual, uma farsa como o construto do cinema; talvez estivesse no saber escamoteado de <strong>que o gozo do dominador alimenta o \u00f3dio, o desejo de vingan\u00e7a e de rebeldia do dominado; talvez estivesse na culpa neur\u00f3tica pelo gozo perverso<\/strong>, e, talvez estivesse no desejo n\u00e3o encarado de que a ordem seja subvertida e se ponha fim ao gozo enquanto gerador de sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas pontua\u00e7\u00f5es n\u00e3o obstaculizam a persist\u00eancia, o encistamento no gozo, a fuga da simboliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do pa\u00eds &#8211; que alavanca os outros sete que ditam as leis, as regras e de quem pode gozar nesta atual ordem mundial \u2013 aprisiona a opini\u00e3o p\u00fablica no imagin\u00e1rio e narcisicamente, como senhor do universo, d\u00e1 a entender que tem a for\u00e7a e brada que \u201c\u00e9 a luta do bem contra o mal\u201d, \u201cque queremos Bin Laden vivo ou morto\u201d e que \u201cquem n\u00e3o estiver conosco, estar\u00e1 contra n\u00f3s\u201d<a><\/a>&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o do senhor Bush pode ser explicada, tamb\u00e9m, pela aud\u00e1cia pat\u00e9tica do ato terrorista.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem dar um tiro, sem usar um artefato b\u00e9lico, sem usar um ve\u00edculo de guerra, sem acionar um daqueles sat\u00e9lites que s\u00e3o capazes de tornar leg\u00edveis placas de autom\u00f3veis em qualquer parte do mundo, eles abalaram os poderes da terra e dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio norte americano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Freud, se vivo fosse, teria que contabilizar este golpe como o quarto a fragilizar o narcisismo humano<\/strong><a><\/a>&nbsp;, pelo menos o narcisismo dos poderosos da ordem universal hegem\u00f4nica. Foram abalados os tr\u00eas pilares do controle mundial: o desmoronamento das torres g\u00eameas &#8211; o cora\u00e7\u00e3o comercial do mundo, o prot\u00f3tipo do poder absoluto, do capitalismo neoliberal; o ataque ao Pent\u00e1gono &#8211; um dos s\u00edmbolos de orgulho, da seguran\u00e7a nacional e da supremacia e controles ianques; bem como a ataque frustrado \u00e0 Casa Branca \u2013 a fortaleza da democracia ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa atitude compreens\u00edvel, do ponto de vista dos familiares das v\u00edtimas, mas nem por isso menos preservadora do narcisismo, a imprensa americana decidiu fazer cobertura sem sangue e corpos. Em Nova York, muitos fot\u00f3grafos e cinegrafistas foram detidos para evitar as imagens.<\/p>\n\n\n\n<p>A fotografia vista, s\u00f3 um jornal as publicou, sendo taxado de \u201covelha negra\u201d al\u00e9m de ter sido chamado a dar explica\u00e7\u00f5es<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, clama por entendimento imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico esse tom blas\u00e9 dessas \u00faltimas viol\u00eancias, \u201co tom pastel da trag\u00e9dia \u00e9 pr\u00f3prio das guerras modernas, os soldados devem ir \u00e0 luta, mas n\u00e3o podem morrer, e se morrerem, n\u00e3o diante das c\u00e2mara<a><\/a>&nbsp;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A guerra &#8211; que nunca teve m\u00e9ritos ou valores positivos, pelo menos para os pacifistas &#8211;<\/strong> est\u00e1 mais para quem det\u00e9m a tecnologia, sabe apertar bot\u00f5es e n\u00e3o precisa ter coragem e nem culpa. Os ataques s\u00e3o feitos por bombardeiros, bombas guiadas a laser e m\u00edsseis disparados a centenas de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, seja do alto ou horizontalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela a\u00e7\u00e3o chamada \u201ctempestade no deserto\u201d matou 100 mil soldados e 100 mil civis iraquianos e 70 soldados americanos<a><\/a>&nbsp;e pela tela da televis\u00e3o, parecia um novo modelo de v\u00eddeo game ou talvez um show pirot\u00e9cnico de mau gosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mesma vis\u00e3o neo-realista, encobridora da realidade, tem sido transmitida na chacina que o poderio b\u00e9lico americano tem executado contra o que resta dos afeg\u00e3os e do seu territ\u00f3rio<a><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A dor, o sofrimento gerados, mais uma vez pelo desrespeito \u00e0 vida humana, homens, mulheres e crian\u00e7as civis, logo se transformar\u00e3o em n\u00fameros nos anu\u00e1rios e ser\u00e3o mais uma p\u00e1gina virada da hist\u00f3ria, se n\u00e3o houver den\u00fancias e manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a m\u00eddia atrav\u00e9s de imagens e textos parciais esconde as v\u00edtimas, forja em montagens comemora\u00e7\u00f5es \u00e1rabes<a><\/a>&nbsp;e reduz o ato terrorista \u00e0 insanidade de fan\u00e1ticos religiosos, que precisam ser exterminados, h\u00e1 ainda aqueles que n\u00e3o fazem uma leitura manique\u00edsta do fato e no mundo todos bradam vozes, imagens e escritos que denunciam e d\u00e3o, a saber, que esses \u00faltimos fatos n\u00e3o s\u00e3o resultantes de uma loucura religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa re-edi\u00e7\u00e3o do pai da horda primeva, que impunha seu gozo perverso a servi\u00e7o de Tanatos, foram recordadas a\u00e7\u00f5es do governo americano nos quatro cantos do mundo, principalmente, na Crim\u00e9ia, em Hiroshima e Nagasaki, no Vietnam, na \u00c1frica do Sul, em Cuba, nos golpes militares e torturas na Am\u00e9rica Latina, na quest\u00e3o palestina, no Iraque e mais recentemente no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, o brado encontra eco entre os cidad\u00e3os americanos que se identificam com aqueles povos e pa\u00edses submetidos \u00e0 insensatez do poder sem limites, ainda que imagin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Oficiais de altos escal\u00f5es t\u00eam se colocado em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica externa americana, e um deles chegou a declarar que \u201cse realmente os EUA fossem a favor da paz, da democracia e dos direitos humanos n\u00e3o ser\u00edamos alvos de terroristas. (&#8230;) negamos a liberdade e os direitos humanos a muitos pa\u00edses (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>Os EUA t\u00eam sido respons\u00e1veis por muito sofrimento em v\u00e1rias partes do mundo. (&#8230;) Precisar\u00edamos ouvir as popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o contra n\u00f3s, no intuito de aliviar seus sofrimentos\u201d<a><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes recortes de uma entrevista, pode-se vislumbrar que \u00e9 poss\u00edvel amortecer o gozo, fragilizar a prepot\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tanatos pode ter seu poderio limitado pela atua\u00e7\u00e3o de seu oposto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>EROS \u2013 O SABER<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda que a leitura seja de oposi\u00e7\u00e3o, no que concerne \u00e0 Psican\u00e1lise, n\u00e3o se deve cair na armadilha simplista do manique\u00edsmo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No funcionamento humano, n\u00e3o existe uma puls\u00e3o do bem e outra do mal. Ambas est\u00e3o imbricadas a servi\u00e7o do homem e s\u00e3o respons\u00e1veis pela perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e renova\u00e7\u00e3o da vida. A exist\u00eancia do homem n\u00e3o chegaria a esse n\u00edvel de complexidade se ambas puls\u00f5es n\u00e3o agissem.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo civilizat\u00f3rio tem provado que elas podem ser dominadas para retro alimentar essa mesma civiliza\u00e7\u00e3o podem ser educadas, controladas, e usadas a servi\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Freud elabora a utopia<a><\/a>&nbsp;que o dom\u00ednio do intelecto sobre a vida instintual e o processo civilizat\u00f3rio possa levar a termo a amea\u00e7a da guerra<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal fato seria poss\u00edvel pelo caminho do conhecimento, pelo acesso ao saber, de forma abrangente e incondicional. Seria uma nova vers\u00e3o do fruto end\u00eamico do conhecimento do bem e do mal.<\/p>\n\n\n\n<p>O saber n\u00e3o pass\u00edvel do castigo ou puni\u00e7\u00e3o, mas como possibilidade de ser ter consci\u00eancia e agir.<\/p>\n\n\n\n<p>Pragmaticamente, Freud sugere m\u00e9todos indiretos para combater a guerra: estimular a atua\u00e7\u00e3o de Eros, o antagonista de Tanatos, aprofundando os la\u00e7os emocionais humanos a ponto de se praticar o &#8220;ame a teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo&#8221; e motivando a identifica\u00e7\u00e3o que aproxima os homens e gera a comunh\u00e3o, o compartilhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinaliza que se deve dar maior aten\u00e7\u00e3o aos l\u00edderes natos a fim de que eles aprendam a subordinar seus instintos \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Defende a aboli\u00e7\u00e3o de atos violentos contra a liberdade individual e de pensamento praticados pelo Estado e pela Igreja que podem influenciar negativamente as novas mentes em forma\u00e7\u00e3o (Freud,1933).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 que se punir crime contra a humanidade por a\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importando de que lado parta, para se educar o princ\u00edpio de morte, criar oportunidade de Tanatos adiar seu gozo ou sublim\u00e1-lo e se estimular a voca\u00e7\u00e3o pela vida deste planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 que se dar oportunidade a Eros e que Tanatos n\u00e3o se antecipe, mas que surja como resultado do desgaste natural da manifesta\u00e7\u00e3o do seu contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apologista do saber, Freud remete-se \u00e0queles que se indignam ativamente contra guerra, creditando essa rea\u00e7\u00e3o negativa \u00e0 consci\u00eancia de que cada pessoa tem direito a sua pr\u00f3pria vida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sabido que a guerra destr\u00f3i vidas, as esperan\u00e7as, avilta o homem, estimula o assassinato, arrasa os patrim\u00f4nios culturais dos povos, porque pode significar a destrui\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana (Freud,1933).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ap\u00f3s ter teorizado a puls\u00e3o de morte, em resposta a Einstein, Freud sustenta que o homem se indigna e at\u00e9 perdeu o interesse e a motiva\u00e7\u00e3o para a guerra porque \u00e9 prejudicial \u00e0 fun\u00e7\u00e3o sexual e psiquicamente ele j\u00e1 est\u00e1 mais evolu\u00eddo; seus instintos destrutivos j\u00e1 est\u00e3o mais controlados e os impulsos que antes eram agrad\u00e1veis aos ancestrais, hoje s\u00e3o indiferentes ou at\u00e9 intoler\u00e1veis, porque esses impulsos foram internalizados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os civilizados s\u00e3o pacifistas e repudiam a guerra intelectual, emocional e constitucionalmente (Freud,1933).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante perceber que no instante em que a o pai da Psican\u00e1lise foi chamado a opinar sobre a causa da guerra, isso quer significar;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; que esta forma de saber det\u00e9m um conhecimento;<\/p>\n\n\n\n<p><br>&#8211; que h\u00e1 uma demanda para que esse conhecimento seja expresso;<\/p>\n\n\n\n<p><br>&#8211; que h\u00e1 uma manifesta\u00e7\u00e3o de acolhimento \u00e0quilo que tem a dizer este saber;<\/p>\n\n\n\n<p><br>&#8211; e que a contribui\u00e7\u00e3o deste conhecimento tem um espa\u00e7o que exige ocupa\u00e7\u00e3o no entendimento das quest\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Orwel, no seu romance \u201cA revolta dos bichos\u201d, mostra a for\u00e7a e a import\u00e2ncia da conscientiza\u00e7\u00e3o pelo conhecimento, da uni\u00e3o e da solidariedade para as conquistas e o controle da viol\u00eancia e da injusti\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aponta que o saber leva \u00e0 mudan\u00e7a de atitude dos subjugados o que pode desequilibrar as for\u00e7as, alterar os atores, as posi\u00e7\u00f5es e as rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, apesar das conquistas, \u00e9 preciso haver uma aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para n\u00e3o se retornar \u00e0s mazelas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na qualidade de mais um instrumento que procura conhecer o homem na sua subjetividade e rela\u00e7\u00f5es sociais, a Psican\u00e1lise tem uma teoria, uma pr\u00e1tica a compor com os outros saberes. A transdisciplinaridade t\u00e3o buscada pela ci\u00eancia, que nada mais \u00e9 que a solidariedade dos conhecimentos na abordagem do objeto comum inaugura um novo momento nas ci\u00eancias que estuda o homem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Urge que a Psican\u00e1lise conquiste atrav\u00e9s do ensino e de suas institui\u00e7\u00f5es o seu espa\u00e7o no campo do saber e no campo da pr\u00e1tica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Socializar-se, isto \u00e9, atingir \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de baixa renda, sem banalizar-se, \u00e9 um desafio que j\u00e1 est\u00e1 sendo enfrentado por algumas institui\u00e7\u00f5es e que certamente redundar\u00e1 em muitas elabora\u00e7\u00f5es, teoriza\u00e7\u00f5es e avan\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda que com alguns equ\u00edvocos, a Psican\u00e1lise foi considerada como um instrumento de educa\u00e7\u00e3o pelo vi\u00e9s do conhecimento de si mesmo, a partir de cada indiv\u00edduo.<\/strong> Se o processo civilizat\u00f3rio diminui a viol\u00eancia, deve-se investir na verdadeira educa\u00e7\u00e3o, aquela que gera compromisso, atitudes e atua\u00e7\u00f5es que podem tornar o mundo menos violento, menos injusto e mais prop\u00edcio \u00e0 vida, ao conhecimento e \u00e0s cria\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dra. Dalva de Andrade Monteiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e9dica Homeopata e Psicanalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Associada do C\u00edrculo Psicanal\u00edtico da Bahia.<br><br><\/strong>Fonte Consultada:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-94792002000100006\">http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-94792002000100006<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPor que a guerra?\u201d &nbsp;Curiosamente, em 1932, Freud foi escolhido por Albert Einstein, o pai da f\u00edsica moderna, para responder esta quest\u00e3o. Isso foi poss\u00edvel porque o Comit\u00ea Permanente para a Literatura e as Artes da Liga das Na\u00e7\u00f5es orientou o Instituto Internacional para Coopera\u00e7\u00e3o Intelectual a promover cartas entre intelectuais de renome a respeito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1689","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1689"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1690,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1689\/revisions\/1690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}