{"id":865,"date":"2017-08-24T21:06:19","date_gmt":"2017-08-24T21:06:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abmpdf.com\/?p=865"},"modified":"2025-07-09T15:23:31","modified_gmt":"2025-07-09T18:23:31","slug":"dos-chistes-a-gradiva-de-jensen-as-subjetividades-do-inconsciente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmpdf.com\/?p=865","title":{"rendered":"Dos Chistes a Gradiva de Jensen  ( As subjetividades do Inconsciente)"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>DOS CHISTES \u00c0 <\/b><b>GRADIVA DE JENSEN: <\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>AS SUBJETIVIDADES DO INCONSCIENTE.<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa primeira parte, ser\u00e1 abordado o recorte tem\u00e1tico; \u201cDos Chistes\u201d, esse mecanismo de linguagem t\u00e3o fidedigno e desafiador.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos e a Psicopatologia da vida cotidiana, surge a terceira grande obra publicada por Freud, em 1905,\u201cOs Chistes e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente\u201d. Este chamou a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da linguagem \u2013 como forma de seguir o fio da palavra, a qual pode ser utilizada para ir al\u00e9m do sentido expresso.<\/p>\n<p>Assim, os chistes derivam dos jogos com as palavras e acaba sendo magistral, pois apresentam uma intencionalidade subjetiva e \u00e0s vezes adversa do real. Tende causar surpresa e impacto quando \u00e9 transmitido, tanto para quem expressa quanto para quem ouve, j\u00e1 queos chistes referem-se \u00e0 algo que n\u00e3o pode ser dito como tal.<\/p>\n<p>Freud ent\u00e3o preconizou que:<\/p>\n<p><i>O chiste, em contrapartida, \u00e9 a mais social de todas as fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas cuja finalidade \u00e9 obter prazer. Frequentemente ele necessita de tr\u00eas pes\u00adsoas e requer, para se completar, a participa\u00e7\u00e3o de um segundo indiv\u00edduo nos processos ps\u00edquicos por ele desencadeados. Portanto, ele tem de sujeitar-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de inteligibilidade; pode recorrer \u00e0 deforma\u00e7\u00e3o por condensa\u00e7\u00e3o e do deslocamento, poss\u00edvel no inconsciente, apenas na medida em que ela seja recuperada pelo entendimento da terceira pessoa<\/i>(FREUD, 1905, P.53).<\/p>\n<p>Estes sugerem mensagem subliminar, para evitar que o resultado seja pior e para amenizar o impacto, utiliza-se do chiste para disfar\u00e7ar a palavra dita (livro \u2013 O corpo fala). Por\u00e9m,o chiste n\u00e3o \u00e9 pensado e sai espontaneamente, como for\u00e7a irrompendo aquilo que n\u00e3o foi dito conscientemente e que ficou recalcado.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dos chistes manifesta-se uma linguagem dos equ\u00edvocos e dos lapsos e trocadilhos, pois a comunica\u00e7\u00e3o revela o desejo de se dizer algo e tamb\u00e9m outra coisa. Um jogo, compondo um jogo de palavras com intencionalidade subjetiva e n\u00e3o ordenadamente consciente e sistematizado, sem elabora\u00e7\u00e3o racionalmente objetiva.<\/p>\n<p>Conforme Dicion\u00e1rio de Psican\u00e1lise (ROUDINESCO, 1944, p. 113), os chistes se caracterizam a priori pela atividade da fun\u00e7\u00e3o l\u00fadica da linguagem, como as brincadeiras infantis e os gracejos. Verdade dita de forma mais diger\u00edvel e em tom de brincadeiradescontra\u00edda e livre, conte\u00fados origin\u00e1rios do inconsciente coletivo.<\/p>\n<p>Brasileiro \u00e9 exemplo disso, considerado um \u201cbom vivam\u201d e um dos povos mais bem humorados do mundo, universo em que se pode deparar com linguagens chistosas cotidianas, como: \u201cpor que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 trabalhando, porque eu n\u00e3o te vi chegando\u201d, \u201cSeu marido foi pescar, ah ele est\u00e1 comendo piranhas\u201d, \u201cHum vai deitar na cadeira do dentista, n\u00e3o a maltrate doutor\u201d.<\/p>\n<p>Diferente do ato falho, o qual se observa uma ruptura e troca do discurso por uma palavra que n\u00e3o deveria ter sido dita, sugerindo um retorno do recalcado e reprimido; no chiste escapa-se inopinadamente a verdade na realidade, retira-se a mascara.<\/p>\n<p align=\"left\">De acordo com Lipps (1898), um chiste \u00e9:<\/p>\n<p>\u00a0<i>\u2018algo c\u00f4mico de um ponto de vista inteiramentesubjetivo\u2019, isto \u00e9 \u2018algo que n\u00f3s produzimos que se liga a nossa atitude como tal, e diante de quemantemos sempre uma rela\u00e7\u00e3o de sujeito, nunca de objeto, nem mesmo objeto volunt\u00e1rio (ibid. 80). Segue-se melhor explica\u00e7\u00e3o por um coment\u00e1rio de que o efeito daquilo, que, em geral,chamamos um chiste, \u00e9 qualquer evoca\u00e7\u00e3o consciente e bem-sucedida do que seja c\u00f4mico, seja acomicidade devida \u00e0 observa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 situa\u00e7\u00e3o\u2019<\/i> (ibid. 78)(LIPPS, 1898 apud FREUD, 1905, p. 21).<\/p>\n<p>Freud ressalta que o humor surge \u201ccomo um meio de obter prazer apesar dos afetos dolorosos que interferem com ele; atua como um substitutivo para a gera\u00e7\u00e3o destes afetos coloca-se no lugar deles\u201d (FREUD, 1905\/1977, p. 212). O humor seria uma das \u201copera\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas mais elevadas\u201d (p. 212), \u201cum dom raro e precioso\u201d, que se mostra um \u201crecurso para auferir prazer\u201d (p. 212) diante dos embates da vida e da tr\u00e1gica inevitabilidade da morte.<\/p>\n<p>Fil\u00f3sofos como Theodor Vischer, Kuno Fischer e Theodor Lipps, sinalizaram sobre o tratamento dos chistes relacionados \u00e0 comicidade e\/ou \u201co prazer do humor\u201d, discuss\u00f5es as quais tem sido recorrentemente aceitas e incontestadas ao longo dos anos. O chiste emerge de um afeto \u201cn\u00e3o dito\u201d e se revela na economia ps\u00edquica do mesmo, como \u201cnecessidade psicol\u00f3gica\u201d que clama por linguagem.<\/p>\n<p>Para Fischer (1889) a rela\u00e7\u00e3o dos chistes com o c\u00f4mico \u00e9 mediada atrav\u00e9s da caricatura, o feio \u00e9 caracter\u00edstica presente:<\/p>\n<p><i>Se [o que \u00e9 feito] for ocultado, deve ser descoberto \u00e0 luz da maneira c\u00f4mica de olhar as coisas; se \u00e9 pouco notado, escassamente notado afinal, deve ser apresentado e tornado \u00f3bvio, de modo que permane\u00e7a claro, aberto \u00e0 luz do dia\u2026 Desta maneira, nasce a caricatura. (&#8230;)Todo nosso universo espiritual, o reino intelectual de nossos pensamentos e id\u00e9ias, n\u00e3o se desdobra ante a mirada da observa\u00e7\u00e3o externa, nem pode ser diretamente imaginado de maneira v\u00edvida e vis\u00edvel. Al\u00e9m do mais, cont\u00e9m suas inibi\u00e7\u00f5es, fraquezas e deformidades &#8211; uma riqueza de contrastes rid\u00edculos e c\u00f4micos. A fim de enfatizar estes e torn\u00e1-los acess\u00edveis \u00e0 considera\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, \u00e9 necess\u00e1rio uma for\u00e7a capaz n\u00e3o simplesmente de imaginar os objetos diretamente mas antes de lan\u00e7ar luz sobre essas imagens, clarificando-as: uma for\u00e7a que possa iluminar pensamentos. A \u00fanica for\u00e7a dessa ordem \u00e9 o ju\u00edzo. Um chiste \u00e9 um ju\u00edzo que produz contraste c\u00f4mico; participa j\u00e1, tacitamente, da caricatura, mas apenas no ju\u00edzo assume sua forma peculiar e a livre esfera de seu desdobramento.<\/i>(Fischer, 1889<i>, p. 45<\/i>, 49-50)apud (FREUD, 1905, p. 8).<\/p>\n<p>Numa concep\u00e7\u00e3o freudiana, devido a falta de signific\u00e2ncia e de uma linguagem mais elaborada conscientemente, atrav\u00e9s dos chistes busca-se uma nova representa\u00e7\u00e3o, em que o c\u00f4mico traduz uma economia do pensar e o humor uma economia do sentimento. Para esse processo, compreende-se que o chiste n\u00e3o se revela sozinho e imprescindivelmente h\u00e1 a busca do outro, quando a linguagem \u00e9 mediada pelo;o autor, o objeto que versa o chiste e o ouvinte.<\/p>\n<p>Exemplos desse universo que convida o leitor para al\u00e9m do entendimento do discurso entre ouvinte e narrador,s\u00e3o as linguagensda uma das personalidades humanas mais populares, aMaria do imagin\u00e1rio social; que se revela e se representa num giro pelo cotidiano coletivo das express\u00f5es chistosas nas redes sociaiscomo:<\/p>\n<p><i>\u201d<\/i><strong><i>Se hoje \u00e9 o Dia das Crian\u00e7as, ontem eu disse que crian\u00e7a&#8230; o dia da crian\u00e7a \u00e9 dia da m\u00e3e, do pai e das professoras, mas tamb\u00e9m \u00e9 o dia dos animais. Sempre que voc\u00ea olha uma crian\u00e7a, h\u00e1 sempre uma figura oculta, que \u00e9 um cachorro atr\u00e1s\u201d.<\/i><\/strong><i><\/i><\/p>\n<p><strong><i>\u201cEnt\u00e3o, para mim essa bola \u00e9 um s\u00edmbolo da nossa evolu\u00e7\u00e3o,Quando n\u00f3s criamos uma bola dessas, n\u00f3s nos transformamos em Homo sapiens ou \u201cmulheres sapiens\u201d.<\/i><\/strong><strong><i><\/i><\/strong><\/p>\n<p><i>\u201cN\u00e3o vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta,\u00a0vamos dobrar a meta\u201d.\u00a0<\/i><i><\/i><\/p>\n<p>Se por um lado, pode-se evidenciar nos estudos freudianos sobre o chiste e servindo-se como uma transgress\u00e3o da linguagem de forma l\u00fadica e criativa, constructos inconscientes e sofridos de tenra inf\u00e2ncia. Estas express\u00f5es suscitam faltas relacionadas \u00e0s necessidades prim\u00e1rias, como de prote\u00e7\u00e3o \u2013 reconhecimento e seguran\u00e7a, ou seja; de defesas para sobreviv\u00eancia\u2013 satisfa\u00e7\u00e3o e amparo.<\/p>\n<p>Por outro lado, os chistes que inicialmente soam como motivos de intensas cr\u00edticas e questionamentos, \u00e0 semelhan\u00e7a dos sonhos e dos atos falhos aludem um pensar de forma mais original e reveladora, j\u00e1 que se traduz atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00f5es do funcionamento inconsciente. Onde h\u00e1 temores, agressividade e voracidade.<\/p>\n<p>Assim, \u201c<i>um chiste \u00e9 a conex\u00e3o ou a liga\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria, atrav\u00e9s de uma associa\u00e7\u00e3o verbal, de duas ideias, que de algum modo contrastam entre si<\/i>\u201d (FREUD, 1905, p. 9).<\/p>\n<p>Mas para al\u00e9m do car\u00e1ter vision\u00e1rio do psicanalista Freud, os chistesrevelam tamb\u00e9m c\u00e2mbios entre o\u00a0intersubjetivo, o afetivo e o simb\u00f3lico, compondo linguagens a priori \u201cirracionais\u201d, pois;<\/p>\n<p><i>\u201c<\/i><i>[&#8230;] pensamos nas profundezas do n\u00e3o-dito, do indiz\u00edvel, dos intensos e rudimentares sentimentos, afinidades e temores que disputam conosco o controle de nossas vidas como internos. Somos criaturas com profundezas internas, com interiores parcialmente inexplorados e sombrios<\/i>(TAYLOR, 1997, p. 155).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Retomando algumas outras express\u00f5es chistosas de Maria, evidenciam-se tentativas de di\u00e1logo com outro e outros&#8230;.:<\/p>\n<p><i>\u201cA mulher abre o neg\u00f3cio, tem seus filhos, cria os filhos e se sustenta. Tudo isso abrindo o neg\u00f3cio.\u201d<\/i><i><\/i><\/p>\n<p><i>\u201cEu vi. Voc\u00ea veja\u2026 Eu j\u00e1 vi, parei de ver. Voltei a ver e acho que o Neymar e o Ganso t\u00eam essa capacidade de fazer a gente olhar.\u201d<\/i><i><\/i><\/p>\n<p><i>\u201c<\/i><i>O meio ambiente \u00e9 sem d\u00favida nenhuma uma amea\u00e7a ao desenvolvimento sustent\u00e1vel.\u201d\u00a0<\/i><i><\/i><\/p>\n<p align=\"left\"><i>\u201cQuero dizer que hoje o Brasil est\u00e1 de luto por uma morte que tirou uma vida.\u201d<\/i><\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia, apreende-se que os chistes tamb\u00e9m cumprem esse desejo (inconsciente)de real\u00e7ar algumas singularidades do humano, que num primeiro momento ficam subjugadas \u00e0s cren\u00e7as moralistas e estigmatizadoras, t\u00e3o v\u00edvidas no imagin\u00e1rio coletivo e social. Tempo em que muitos falam, gritam e berram avidamente por tentar serem escutados e compreendidos, mas sem muita receptividade em supremacia do reinado das pessoas \u201cmodernas\u201dcom suas caricaturas estereotipadas e humoradamente perversas.<\/p>\n<p>Assim nos chistes a caricatura se circunscreve como recurso peloexagero na express\u00e3o da linguagem, trata-se de uma,\u00a0 <i>\u201cexagera\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os que n\u00e3o seriam de outro modo marcantes (\u2026), e envolve tamb\u00e9m a caracter\u00edstica da degrada\u00e7\u00e3o\u201d <\/i>(Freud s\/d). Bem como, na alus\u00e3o do termo quiproqu\u00f3 para mediar a compreens\u00e3o das diferen\u00e7as de sentidos entre os atores de pe\u00e7as teatrais e p\u00fablico; \u201c<i>a caricatura, que tem algo de diab\u00f3lico, ressalta o dem\u00f4nio que venceu o anjo<\/i>\u201d (Bergson, 1983, s\/p). (DUARTE, 2012, p. 25).<\/p>\n<p>Neste movimento, a caricatura atravessa e extravasa o feio para compor a comicidade dos chistes, os quais se colocam no centro das comunica\u00e7\u00f5es humanas para dar vas\u00e3o \u00e0s especificidades das pessoas e objetos que at\u00e9 ent\u00e3o estavam omissas ou recalcadas. Por\u00e9m Bergson alerta para n\u00e3o se confundir exagero com ironia, uma vez que ambos est\u00e3o presentesnos chistes. O primeiro cumpre fun\u00e7\u00f5es de puls\u00f5es que rompem o pensar racionalmente elaborado, e a segunda vem colorir de forma sorrateira o pensar mais veraz.<\/p>\n<p>Continuando a tem\u00e1tica deste estudo, \u201cdos chistes \u00e0 Gradiva de Jensen: as subjetividades do inconsciente\u201d, segue-se nessa segunda parte, o olhar sob a dimens\u00e3o \u201c\u00e0 Gradiva de Jensen\u201d. Quandonuma concep\u00e7\u00e3o freudiana a arte pode ser ou \u00e9, testemunha do inconsciente,como se existisse uma inspira\u00e7\u00e3o da pessoa acessando os subterr\u00e2neos departes da psique e dos materiais mais escondidos no rec\u00f4ndito da alma humana.<\/p>\n<p>Freud, no in\u00edcio da sua metodologia arqueol\u00f3gica \u2013 retirando camadas de terra \u2013 rocha e pedras, at\u00e9 se ter acesso ao objeto em si, a busca de compreens\u00e3o do homem se ligava a uma l\u00f3gica articulada com o psiquismo, lugar de tantos mecanismos de defesa e resist\u00eancias.Seguindo-se posteriormente, os di\u00e1logos entre Freud e Jensen, o trabalho da Gradiva trata-se de uma mo\u00e7a que desperta no personagem principal que ainda n\u00e3o tinha conhecimento desses sentimentos, uma inquieta\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria; evidenciando o nome da obra Delirius \u2013 Gradiva originalmente.<\/p>\n<p><i>Ao publicar, em 1907, o estudo &#8220;Del\u00edrios e sonhos na Gradiva de Jensen&#8221;, Freud transformou esse romance em uma celebridade e deu-lhe uma popularidade que se estendeu para al\u00e9m das fronteiras da literatura. A hist\u00f3ria de um jovem arque\u00f3logo na conturbada busca de si mesmo e da mulher amada ganhou um alcance certamente jamais imaginado por Jensen. (&#8230;)Pois, a partir da publica\u00e7\u00e3o do estudo de Freud, seu livro passou a influenciar uma elite intelectual formadora de opini\u00e3o, e a imagem de Gradiva &#8211; a jovem de vestes esvoa\u00e7antes, sand\u00e1lias e andar gracioso e sedutor &#8211; incorporou-se ao imagin\u00e1rio de uma \u00e9poca e foi difundida por meio de outras formas art\u00edsticas. Foi pintada por Salvador Dali e por Andr\u00e9 Masson e deu nome a uma galeria de arte surrealista inaugurada, em Paris, por Andr\u00e9 Breton<\/i>(LOBO, 2000, p. 99-100).<\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>Assim como se d\u00e1 no ato falho e no sonho, a ang\u00fastia origin\u00e1ria tanto do que foi suprimido ou afastado (FREUD, 1905 (1921)),se configura como uma intrus\u00e3o que se manifesta atrav\u00e9s do sintoma \u00e9denominada de traumas e recalques. \u00a0Estes se traduzem na cl\u00ednica psicanal\u00edtica mascarada por inibi\u00e7\u00f5es, sintomas, fixa\u00e7\u00f5es, defesas, compuls\u00f5es, fantasias, idealiza\u00e7\u00f5es, del\u00edrios e fugas; ang\u00fastias as quais anunciam estados de dor e desamparo face \u00e0 imin\u00eancia e imagin\u00e1rio da perda do objeto, prim\u00e1rio ou secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>No\u00a0Semin\u00e1rio X\u00a0(LACAN, 1962-1963\/2004), Jacques Lacan considerara a ang\u00fastia um estatuto diferenciado, a qual \u00e9 tratadacomo o desejo do Outro e o \u00fanico dentre todos os nossos afetos que seria sinal do real.\u00a0Estesconflitos est\u00e3o depositados e aprisionados no inconsciente, a fim de proteger o ego, j\u00e1 que esta \u00e9 a \u00fanica inst\u00e2ncia que entra em sofrimento. Pois se o EGO era imaturo oufora acometido por algum evento que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de lidar, tende sofrer e n\u00e3o conseguir elaborar essa demasiada energia.<\/p>\n<p>Da\u00ed, como em Gradiva, Norbert no sentimento da falta;<\/p>\n<p><i>Ao n\u00e3o encontrar, de in\u00edcio, explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para seu relacionamento obsessivo com a escultura em relevo da mulher a que ele chama de Gradiva, Norbert revela seu desconhecimento da presen\u00e7a dos fantasmas\/recorda\u00e7\u00f5es\/representa\u00e7\u00f5es em sua vida consciente. N\u00e3o sabe ainda que Gradiva vem dos espa\u00e7os que ele deixou de habitar, que ela \u00e9 espelho que reflete a si pr\u00f3prio e seus desejos n\u00e3o realizados. Espelho que reflete seu corpo n\u00e3o habitado e, por isso mesmo, inacess\u00edvel ao outro<\/i>(LOBO, 2000, p .101).<i><\/i><\/p>\n<p>Evidenciando que todo movimento pulsional, leva a desejos &#8211; excita\u00e7\u00e3o e deflagra\u00e7\u00f5es de puls\u00e3o, a qual em psican\u00e1lise \u00e9 sofrimento, pois nem toda vontade de prazer encontra objeto. Desponta a necessidade de sublima\u00e7\u00e3o significando converter essa energia e essa puls\u00e3o socialmente institu\u00edda e aceita, alavanca pela qual constru\u00edmos, nos tornamos pessoas sociais e coletivas, etc..\u00a0 Por\u00e9m, outros desejos e puls\u00f5es existem e s\u00e3o manifestos em n\u00f3s, os quais n\u00e3o encontram objeto e nem realiza\u00e7\u00e3o, ambos s\u00e3o transformados em trauma ou recalque.<\/p>\n<p>Configura-se a ang\u00fastia como um inc\u00f4modo sem saber a raz\u00e3o, a qual sinaliza que se est\u00e1 aproximando da excita\u00e7\u00e3o e que exige que haja uma repress\u00e3o e defesa necess\u00e1ria; sen\u00e3o ocorre o sintoma, para tentar conter essa puls\u00e3o. Por\u00e9m, tudo aquilo que \u00e9 reprimido e recalcado, for\u00e7ando as camadas ps\u00edquicas tect\u00f4nicas ao sujeito se angustiar e sintomatizar, significa que os mecanismos de defesa falharam e as ang\u00fastias poder\u00e3o transformar em dor e adoecimentos dos mais diversos \u2013 f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos, ou emocionais.<\/p>\n<p>Universo pelo qual, revela-se pela experi\u00eancia psicanal\u00edtica de que nada \u00e9 destru\u00eddo no psiquismo, quando o esquecimento e o desaparecimentotende reaparecer como efeito da a\u00e7\u00e3o do recalcamento que a an\u00e1lise visa suplantar atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n<p><i>Com seu trabalho sobre a Gradiva, Freud vai dar vaz\u00e3o ao seu desejo de ampliar o espectro de a\u00e7\u00e3o de sua teoria do inconsciente, a qual ele quis, desde os seus prim\u00f3rdios (&#8230;) situar mais al\u00e9m do contexto restrito da pr\u00e1tica cl\u00ednica com neur\u00f3ticos. A psican\u00e1lise vai al\u00e9m das fronteiras do consult\u00f3rio, incidindo e tentando, interferir nos mais diversos campos do saber. Freud, com o estudo sobre a Gradiva, tem a possibilidade de demonstrar sua teoria do inconsciente, ilustrando-a com a limpidez da qual \u00e9 capaz uma narrativa po\u00e9tica. Tratava-se aqui para Freud de recolher os achados do escritor e poeta, tornados poss\u00edveis pela especial aptid\u00e3o do artista de se deixar perpassar pelos elementos que, estruturados como uma linguagem (segundo Lacan), apontam para o inconsciente<\/i>(MENDES, 2005, p. 53).<\/p>\n<p>Assim, a l\u00f3gica da psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 criar outros tamponamentos ou bloqueios, pois estes sintomas vir\u00e3o a tona por meio de doen\u00e7as org\u00e2nicas ou psicossom\u00e1ticas tais como; s\u00edndromes do p\u00e2nico, fobias, identifica\u00e7\u00f5es, epis\u00f3dios ansiog\u00eanicos, comportamentos delirantes, diabetes, psor\u00edases, compuls\u00f5es alimentares ou de drogas, etc. A ideia \u00e9 elaborar as raz\u00f5es que certas situa\u00e7\u00f5es levam o sujeito a estados de fragilidades e sofrimentos, de modo que este consiga viver de modo mais equilibrado e harm\u00f4nico.<\/p>\n<p>Com isso um questionamento: P\u00f4r que sempre viver um mart\u00edrio existencial, sempre pesado? Se o sujeito pode-se buscar resolutividade das causas dos sofrimentos, fazendo elabora\u00e7\u00f5es e adquirindo recursos internos para o processo de supera\u00e7\u00e3o. Processo pelo qual a transfer\u00eancia entre analista e analisando serve-se com c\u00e2mbio para libera\u00e7\u00e3o do recalcado, enfrentando os desafios de compreens\u00e3o e an\u00e1lise desde os sintomas mais simples aos conte\u00fados mais complexos.<\/p>\n<p>Como nos del\u00edrios do personagem da Gradiva de Jensen, em que h\u00e1 a necessidade da pormenoriza\u00e7\u00e3o (ang\u00fastias relativas) destes; \u201c<i>S\u00e3o del\u00edrios hist\u00e9ricos, (&#8230;) del\u00edrios imaginativos, ou ainda de devaneios. Diferentemente do del\u00edrio psic\u00f3tico, que vem para aplacar a ang\u00fastia, o del\u00edrio neur\u00f3tico \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia<\/i>\u201d(MENDES, 2005, p.57).<\/p>\n<p>Aqui, as fantasias desempenham papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o dos sintomas, pois conforme no caso da Gradiva, estes emergem a partir da nomea\u00e7\u00e3o de um objeto (relevo da escultura de gesso) \u2013 da imagina\u00e7\u00e3o criada (a jovem Gradiva) e no lugar de objeto do outro (como Norbert, sentido como o can\u00e1rio na gaiola). Puls\u00f5es libidinais que numa concep\u00e7\u00e3o freudiana, \u00e9 preconizado que o sexo e a busca de realiza\u00e7\u00e3o dos desejos existemdesde a tenra inf\u00e2ncia, pois as impress\u00f5es trazidas dessa \u00e9poca revelam conte\u00fados de sexualidade, mostrando que elas n\u00e3o s\u00e3o inocentes.<\/p>\n<p>Impress\u00f5es ou recalques da sexualidade manifesta, que s\u00e3o recalcadas e reprimidas, ou seja:<\/p>\n<p><i>Para romper o recalcamento, a libido encontra as fixa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias nas experi\u00eancias do in\u00edcio da vida sexual, que, por ocorrerem numa \u00e9poca de desenvolvimento incompleto \u2013 marcado pelo estado de desamparo e depend\u00eancia absolutos \u2013, s\u00e3o capazes de ter efeitos traum\u00e1ticos. Conforme Freud, \u201cde algum modo\u201d, o sintoma repete essa forma infantil de satisfa\u00e7\u00e3o, deformada pela censura que surge no conflito, via de regra transformada em uma sensa\u00e7\u00e3o de sofrimento e mesclada com elementos provenientes da causa precipitante da doen\u00e7a <\/i>(FREUD, 1917\/1980, p. 427).<\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Para que a energia pulsional libidinal seja estancada, \u00e9 indispens\u00e1vel os representantes morais e legais da lei simb\u00f3lica, como; \u00a0Igreja \u2013 Escola \u2013 Fam\u00edlia e Trabalho, inst\u00e2ncias encarregadas de fazer o papel de superego e de evitar um sofrimento e dor maior. Somente assim, nas tentativas recorrentes de media\u00e7\u00f5es entre puls\u00f5ese desejos inconscientes \u00e0s barragens e proibi\u00e7\u00f5es do superego, que o ego conseguir-se-\u00e1 mover e adaptar ao princ\u00edpio da realidade.<\/p>\n<p>Em contraponto a Psican\u00e1lise \u00e9 amoral, existe objeto de desejo instintivamente \u2013 consciente ou inconscientemente; e o que vai coibir e promover a castra\u00e7\u00e3o para sucumbir os desejos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 natural. \u00c8necess\u00e1rio a repress\u00e3o e o tratamento \u00a0anal\u00edtico do sujeito que sofre, \u00a0buscando mitiga\u00e7\u00e3o da dor e da ang\u00fastia libidinal.Como nos tr\u00eas ensaios da sexualidade infantil (FREUD, 1905),o cientistatransforma as puls\u00f5es que ele sentia pela pr\u00f3pria m\u00e3e em casos cl\u00ednicos e estudo cient\u00edfico, visando construir respostas para esse enredo.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da an\u00e1lise, o outro adquire linguagem, ao Outro;<\/p>\n<p><i>\u00c9 na demanda endere\u00e7ada ao Outro que circula o desejo, escamoteado, escondido, disfar\u00e7ado na enuncia\u00e7\u00e3o e nos intervalos do enunciado, nas pausas, nas exclama\u00e7\u00f5es e retic\u00eancias; em suma, \u00e9 na modula\u00e7\u00e3o da fala do sujeito que cabe avalizar a presen\u00e7a do desejo e a verdade que ele oculta. Portanto, \u00e9 nas entrelinhas que se situa a verdade do inconsciente<\/i>. A fala, ao ser libertada \u2013 \u201cfala plena\u201d (Lacan, 1953\/1998, p. 248), verdadeira \u2013 deixa escapar, para al\u00e9m do vazio de seu dizer, o apelo do sujeito \u00e0 verdade, que j\u00e1 est\u00e1 inscrita em alguma parte no inconsciente (DIAS, 2006, p. 403).<\/p>\n<p>A Gradiva de Jensen, retrata o apaixonamento de um homem por uma imagem, em que ele passa a delirar de amor&#8230;.quando Freud come\u00e7a estudar sobre a indestrutividade do psiquismo. Esse despertar do desejo e desse sentimento intenso que uma pessoa nutre por outra, completamente circunstancial e inesperado = para Freud isso \u00e9 altamente explic\u00e1vel e objetivo = reminisc\u00eancias da inf\u00e2ncia, experi\u00eancias la da tenra inf\u00e2ncia de amor, talvez recalcado.<\/p>\n<p>O personagem viveu uma poss\u00edvel frigidez, at\u00e9 conhecer a gradiva; associando-a a uma mulher que existiu para ele. Freud trabalha com os desejos e as fantasias; experi\u00eancia ps\u00edquica do personagem do livro.Quando o analista passa a ter acesso as mem\u00f3rias do sujeito em tenra inf\u00e2ncia, vai promovendo o elemento terap\u00eautico e atribuir tratamento ps\u00edquico ao indiv\u00edduo, e este elaborando conte\u00fados atrav\u00e9s da l\u00f3gica transferencial.<\/p>\n<p><i>Na inf\u00e2ncia, Hanold mantinha amizade com uma menina de nome Zoe Bertgang. Essa conviv\u00eancia forneceu a base do interesse posterior do jovem pelos p\u00e9s e pelo andar das mulheres. Zoe, graciosamente, costumava andar apoiando-se nas pontas dos dedos, deixando os p\u00e9s numa posi\u00e7\u00e3o quase perpendicular ao ch\u00e3o, posi\u00e7\u00e3o reproduzida na pe\u00e7a encontrada pelo arque\u00f3logo. A figura feminina em m\u00e1rmore parecia-lhe<\/i><i>\u00a0<\/i><b><i>atual<\/i><\/b><i>\u00a0<\/i><i>e<\/i><i>\u00a0<\/i><b><i>viva<\/i><\/b><i>: era como se seu autor tivesse reproduzido sobre a pe\u00e7a uma vis\u00e3o captada das ruas. Partindo dessa ideia, Hanold confere \u00e0quela escultura caracter\u00edsticas que justificam sua origem e contemporaneidade. A ideia de que Gradiva possui<\/i><i>\u00a0<\/i><b><i>aquele andar<\/i><\/b><i>\u00a0<\/i><i>substitui o seu reconhecimento de que<\/i><i>\u00a0<\/i><b><i>aquele andar<\/i><\/b><i>\u00a0<\/i><i>pertence a uma mulher da \u00e9poca presente \u2013 Zoe Bertgang. \u201cPor tr\u00e1s da impress\u00e3o de que a escultura era<\/i><i>\u00a0<\/i><b><i>viva<\/i><\/b><i>\u00a0<\/i><i>e da fantasia de que o modelo era grego, estava a sua lembran\u00e7a do nome Zoe, que significa \u2018vida\u2019 em grego\u201d (FREUD, 1907\/1970, p.57). Assim, mais adiante pontua Freud: \u201c(&#8230;) existe uma perfeita analogia entre o soterramento de Pompeia \u2013 que fez desaparecer, mas ao mesmo tempo preservou o passado \u2013 e a repress\u00e3o, de que ele tinha conhecimento atrav\u00e9s do que poder\u00edamos chamar de percep\u00e7\u00e3o<\/i><i>\u00a0<\/i><b><i>endops\u00edquica<\/i><\/b>\u201d (p.57).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas para que a an\u00e1lise aconte\u00e7a tem de haver transfer\u00eancia, sen\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de receptividade e escuta do material recalcado que chega e que demanda releitura, pois somente assim o psicanalista consegue fazer as interpreta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao paciente.\u00a0 Se apresentando como objeto (anal\u00edtico) desse objeto recalcado do paciente, o sujeito desejante encontra no analista atrav\u00e9s da transfer\u00eancia as conex\u00f5es para diluir os recalques. Quando aabstin\u00eancia do analista \u00e9 mant\u00ea-lo sintomatizado, uma vez que lhe cabe n\u00e3o realizar o desejo, sen\u00e3o ocorre a transfer\u00eancia er\u00f3tica.<\/p>\n<p><b>N\u00f3s psicanalistas, n\u00e3o estamos preocupados com o campo comportamental do sujeito e nem com a l\u00f3gica<\/b>, e sim compromissados em estarmos conectados com o que est\u00e1 lhe afetando e o que est\u00e1 lhe causando sofrimento ou dor. \u00c9 voltar-se para l\u00f3gica interior do indiv\u00edduo com suas especificidades mais secretas e tem\u00edveis, propiciando ao indiv\u00edduo que sofre no plano das linguagens m\u00faltiplas e do simb\u00f3lico, caminhos para estrutura\u00e7\u00e3o no modo de existir.<\/p>\n<p>Freud principia sobre a l\u00f3gica arqueol\u00f3gica, em que cabe ao processo terap\u00eautico o tempo de espera \u2013 espera do paciente, que em seu tempo pr\u00f3prio; vai podendo fazer suas pr\u00f3prias descobertas \u2013 lentas e de acordo com suas condi\u00e7\u00f5es.A esfera que sofre dentro do psiquismo \u2013 medo,culpa, neurose obsessiva, revolta, ang\u00fastia, histeria (grita, esperneia, chora, se movimenta de forma muito descontrolada), m\u00faltiplas fobias, som\u00e1tica, identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Birman (1993) prop\u00f5e que se afaste do discurso freudiano sobre o amor uma perspectiva pedag\u00f3gica e moral. Opta assim por falar da paix\u00e3o, da rela\u00e7\u00e3o que ela estabelece com a ruptura e da descontinuidade imposta pela puls\u00e3o de morte. O autor destaca os paradoxos da paix\u00e3o na sua rela\u00e7\u00e3o com\u00a0<b>Tanatos<\/b>:<\/p>\n<p><i>A dificuldade que imp\u00f5e a situa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 justamente a de conviver com o paradoxo, ou seja, abrir as fendas do ego para a irrup\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o e deix\u00e1-la falar de maneira intermin\u00e1vel, sem satisfaz\u00ea-la, pois a sua retomada pelo sujeito no plano discursivo implica que este deva dar inevitavelmente um destino \u00e0 paix\u00e3o despertada pela transfer\u00eancia. Com isso, a psican\u00e1lise devolve ao sujeito o encargo de conviver integralmente com sua paix\u00e3o, com todos os riscos subjacentes, isto \u00e9, com seu fasc\u00ednio e seus impasses (<\/i><i>Birman, 1993,<\/i><i>p.87).<\/i><i><\/i><\/p>\n<p>Se os mecanismos de defesa falharam, e o sujeito psicossomatiza &#8211; sintomatiza; mas ainda assim o ego busca encontrar uma maneira de n\u00e3o mais se submeter ao objeto de tens\u00e3o. Ex. hipocondr\u00edaco adoece, a m\u00e3e traz os filhos de volta para perto, implicando a conquista atrav\u00e9s dos ganhos secund\u00e1rios. Bem como, opr\u00f3prio sofrimento me possibilita afastamento do objeto gerador da dor, porque o adoecimento ser\u00e1 acolhido.\u00a0 S\u00edndrome de Bournout.<\/p>\n<p>Concluindo, o texto de Gradiva, tamb\u00e9m \u00e9 um tratado da t\u00e9cnica psicanal\u00edtica, pois atrav\u00e9s do estudo Freud permite compreender que a representa\u00e7\u00e3o do processo de desejo do Jensen n\u00e3o era a Gradiva em si, e sim; algo remanescente de algu\u00e9m vivido na tenra inf\u00e2ncia \u2013 remetendo a mem\u00f3ria recalcada para um desfazimento. Toda a representa\u00e7\u00e3o de mulher e de sexualidade foi recalcada na inf\u00e2ncia, a Amiga Zoe, amor do tempo da crian\u00e7a. Quando Jensen, encontra uma garota que o acolhe; o sintoma desaparece, e ele faz a elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O analista assume a posi\u00e7\u00e3o de bancar o ser amado e se apresenta atrav\u00e9s do acolhimento e da escuta \u2013 para pontuar e interpretar, mas n\u00e3o \u00e9! Por isso a essencialidade da abstin\u00eancia, pois somente assim, h\u00e1 que a energia pulsional encontrar o objeto, para poder pensar e conseguir fazer as elabora\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas necess\u00e1rias.Semelhan\u00e7a, com Miguel de Cervantes \u2013 O Grande Mentecapto.<\/p>\n<p>Em Gradiva se inspira, aceitar o del\u00edrio e acolh\u00ea-lo; situar-se no mesmo plano da estrutura delirante, investigar o del\u00edriopara trat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Pela eclos\u00e3o do processo delirante, que Jensen vai em busca da Gradiva,que sendo acolhido pela mo\u00e7a,ele consegue desidealizar o amor da inf\u00e2ncia. Ele consegue deflagrar e se libertar da situa\u00e7\u00e3o de lat\u00eancia \u2013 voltando a sentir desejo e atra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da libera\u00e7\u00e3o dos desejos que estavam reprimidos. <i>DE VOLTA A SUA CONDI\u00c7\u00c3O DE SER DESEJANTE, E PODER SE LAN\u00c7AR NA BUSCA DE SEU PRAZER&#8230;&#8230;. O imagin\u00e1rio o libertou da condi\u00e7\u00e3o delirante.<\/i><\/p>\n<p>Freud, ao ser apresentado ao livro \u2013 Gradiva de Jensen por Jung, ele se depara com esse amor que se materializa com essa representa\u00e7\u00e3o que extrapola para o real, interpretando-a; dentro de um direcionamento psicanal\u00edtico romanceada e atrav\u00e9s de um percurso que o propicia ao refinamento da t\u00e9cnica psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p>Com acesso a Gradiva, Freud consegue certa organicidade nos elementos te\u00f3ricos da teoria psicanal\u00edtica permitindo-o \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de alguns sintomas; como desamparo, perda, paix\u00e3o e fantasia. Assimque ele j\u00e1 come\u00e7ou a pensar em cura, j\u00e1 que o recalque \u00e9 desfeito quando o sujeito encontra o objeto do desejo, e as puls\u00f5es libidinais buscam novos direcionamentos e ressignifica\u00e7\u00f5es&#8230;E as demandas de amor, novos cen\u00e1rios \u2013 hist\u00f3rias e enredos humanos&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><b>DISCIPLINA: <\/b><b>M\u00f3dulos N\u00ba 8 e9 <\/b><\/p>\n<p><b>OS CHISTES E SUA RELA\u00c7\u00c3O COM O INCONSCIENTE &amp; GRADIVA DE JENSEN &#8211; An\u00e1lise da Histeria Masculina. <\/b><b><\/b><\/p>\n<p><b>Prof\u00aa.Gema Galgani da Fonseca<\/b> \u2013 Curso de Estudos das Obras de Freud e P\u00f3s Freud de Psican\u00e1lise pela ABMP\/Bras\u00edlia \u2013 DF, Doutoranda do Curso de Doutorado em Psicologia \u2013 UCES\/ Buenos Aires, Mestre em Forma\u00e7\u00e3o de Professores pela Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU), Especialista em Psicoterapia Psicanal\u00edtica pela Universidade de Uberaba (UNIUBE), graduada em Pedagogia e Psicologia. Docente de cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da FPM \u2013 Faculdade de Patos de Minas\/MG. <a href=\"mailto:ggalgani.fonseca@gmail.com\">ggalgani.fonseca@gmail.com<\/a>.<\/p>\n<p>BIRMAN, J.\u00a0<i>Ensaios de teoria psicanal\u00edtica<\/i>: parte 1 &#8211; metapsicologia, puls\u00e3o, linguagem, inconsciente e sexualidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.<\/p>\n<p>Dias, M.G. L.V. (2006). <i>El s\u00edntoma: de Freud a Lacan<\/i>.\u00a0<i>Psicologia em Estudo<\/i>,\u00a0<i>11<\/i>(2),399-405.\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S1413-73722006000200019\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S1413-73722006000200019<\/a>.<\/p>\n<p>Duarte, A. M. M. (2012).<i>\u00a0<\/i>O humor na r\u00e1dio em Portugal: modos e finalidades do humor radiof\u00f3nico<i>\u00a0<\/i>(Doctoraldissertation, Universidade da Beira Interior &#8211; Artes e Letras). Covilh\u00e3, Junho de 2012.<\/p>\n<p>FREUD, Sigmund.(1905). Os chistes e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente. In: Edi\u00e7\u00e3o Standart das Obras Completas de Sigmund Freud. v. 8. Rio de Janeiro: Imago, 1977.<\/p>\n<p>FREUD, Sigmund.(1905).Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: Edi\u00e7\u00e3o Standart das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/p>\n<p>FREUD, Sigmund. \u00a0(1907) Del\u00edrios e sonhos na Gradiva, de Jensen. In: Edi\u00e7\u00e3o Standart das Obras Completas de Sigmund Freud.Vol. IX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/p>\n<p>FREUD, Sigmund.(1910) Leonardo da Vinci e uma lembran\u00e7a de sua inf\u00e2ncia. In: Edi\u00e7\u00e3o Standart das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XI. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/p>\n<p>FREUD, Sigmund. (1914) O Mois\u00e9s de Michelangelo In: Edi\u00e7\u00e3o Standart das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XIII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/p>\n<p>FREUD, Sigmund. (1912)\u00a0Totem e Tabu. In: Edi\u00e7\u00e3oStandart das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XIII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/p>\n<p>FREUD, Sigmund.\u00a0 (1905) Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. (O Caso Dora). In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas, Rio de Janeiro: Imago, Vol. XVII, 1980.<\/p>\n<p>FREUD, S.\u00a0(1921).\u00a0Psicologia de Grupo e an\u00e1lise do ego. In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas, Rio de Janeiro: Imago, Vol. XVIII, 1980.<\/p>\n<p>FREUD, S. O humor (1927). In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1974, vol. XXI.<\/p>\n<p>Freud, S. (1980). Os caminhos da forma\u00e7\u00e3o dos sintomas. (J. Salom\u00e3o, Trad.). Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas. (Vol. XVI, pp. 419-440). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1917).<\/p>\n<p>Freud, S. (1980). Inibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia. (J. Salom\u00e3o, Trad.). Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas. (Vol. XX, pp. 107-198). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1926).<\/p>\n<p>Freud, S. (1980). O mal-estar na cultura. (J. Salom\u00e3o, Trad.). Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas. (Vol. XXI, pp. 81-178). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1930).<\/p>\n<p>Freud, S. (1980). A dissec\u00e7\u00e3o da personalidade ps\u00edquica. (J. Salom\u00e3o, Trad.). Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas. (Vol. XXII, pp. 75-102). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1933a).<\/p>\n<p>Freud, S. (1980). Ang\u00fastia e vida pulsional. (J. Salom\u00e3o, Trad.). Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas. (Vol. XXII, pp. 103-138). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1933b).<\/p>\n<p>Lacan, J. (2004).\u00a0Le s\u00e9minaire: Livre 10: L&#8217;angoisse. Paris: Seuil. (Originalmente publicado em 1962-1963).<\/p>\n<p>LOBO, Suely Maria de Paula e Silva. Espa\u00e7o e tempo: rela\u00e7\u00f5es simbolizantes na Gradiva de Jensen. Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais &#8211; PUC\/Minas &#8211; Belo Horizonte.\u00a0 Itiner\u00e1rios,Araraquara, 15\/16:99-107, 2000.<\/p>\n<p>MENDES, E. R. P. (2005). No Passo da Gradiva.\u00a0Estudos de Psican\u00e1lise, (28), 51-60. Recuperado em 14 de abril de 2017, de <a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-34372005000100006&amp;lng=pt&amp;tlng=pt\">http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-34372005000100006&amp;lng=pt&amp;tlng=pt<\/a>.<\/p>\n<p>ROUDINESCO, E. (1944). Dicion\u00e1rio de psican\u00e1lise\/Elisabeth Roudinesco, Michel Plon; tradu\u00e7\u00e3o Vera Ribeiro, Lucy Magalh\u00e3es. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/p>\n<p>TAYLOR, 1997, apud SILVA FILHO, W. J. Mente, mundo e autoconhecimento:uma apresenta\u00e7\u00e3o do externalismo.\u00a0<i>Trans\/Form\/A\u00e7\u00e3o<\/i>, S\u00e3o Paulo, v.30, n.1, p.151-168, 2007. <b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dedico este trabalho,<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A todos os \u201cJensen\u201d (s) pelo mundo afora&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOS CHISTES \u00c0 GRADIVA DE JENSEN: AS SUBJETIVIDADES DO INCONSCIENTE. &nbsp; Nessa primeira parte, ser\u00e1 abordado o recorte tem\u00e1tico; \u201cDos Chistes\u201d, esse mecanismo de linguagem t\u00e3o fidedigno e desafiador. 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