{"id":962,"date":"2018-01-14T16:47:33","date_gmt":"2018-01-14T16:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abmpdf.com\/?p=962"},"modified":"2025-07-09T15:24:11","modified_gmt":"2025-07-09T18:24:11","slug":"proposicao-de-lacan-1967","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmpdf.com\/?p=962","title":{"rendered":"Proposi\u00e7\u00e3o de Lacan \/ 1967"},"content":{"rendered":"<table width=\"100%\" border=\"0\" cellspacing=\"4\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><b>Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola Psican\u00e1lise ( por Lacan)<\/p>\n<p><\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><i>por<\/i>\u00a0 <b>JACQUES LACAN ( 09\/10\/1967)<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Antes de l\u00ea-la, assinalo que conv\u00e9m entend\u00ea-la com base na leitura, a ser feita ou refeita, de meu artigo &#8220;Situa\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise e forma\u00e7\u00e3o do psicanalista em 1956&#8221; (p\u00e1ginas 461-95 de meus Escritos\/Na edi\u00e7\u00e3o brasileira, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998. (N.E.).<\/p>\n<p>Vamos tratar de estruturas asseguradas na psican\u00e1lise e de garantir sua efetiva\u00e7\u00e3o no psicanalista.<br \/>\nIsso se oferece \u00e0 nossa Escola, ap\u00f3s uma dura\u00e7\u00e3o suficiente de \u00f3rg\u00e3os esbo\u00e7ados com base em princ\u00edpios limitativos. N\u00e3o institu\u00edmos o novo sen\u00e3o no funcionamento. \u00c9 verdade que da\u00ed surge a solu\u00e7\u00e3o para o problema da Sociedade Psicanal\u00edtica.<br \/>\nA qual se encontra na distin\u00e7\u00e3o entre a hierarquia e o gradus.<br \/>\nProduzirei, no in\u00edcio deste ano, este passo construtivo:<br \/>\n1) produzi-lo \u2014 mostr\u00e1-lo a voc\u00eas;<br \/>\n2) colocar voc\u00eas em condi\u00e7\u00e3o de produzir seu aparelho, o qual dever\u00e1 reproduzir esse passo nesses dois sentidos.<br \/>\nLembremos entre n\u00f3s o existente.<br \/>\nAntes de mais nada, um princ\u00edpio: o psicanalista s\u00f3 se autoriza de si mesmo. Esse princ\u00edpio est\u00e1 inscrito nos textos originais da Escola e decide sua posi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsso n\u00e3o impede que a Escola garanta que um analista depende de sua forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEla pode faz\u00ea-lo, por sua pr\u00f3pria iniciativa.<br \/>\nE o analista pode querer essa garantia, o que, por conseguinte, s\u00f3 faz ir mais al\u00e9m: tornar-se respons\u00e1vel pelo progresso da Escola, tornar-se psicanalista da pr\u00f3pria experi\u00eancia.<br \/>\nOlhando para isso por esse prisma, reconhece-se que, a partir de agora, \u00e9 a essas duas formas que correspondem:<br \/>\nI. O AME, ou analista membro da Escola, constitu\u00eddo simplesmente pelo fato de a Escola o reconhecer como psicanalista que comprovou sua capacidade.<br \/>\n\u00c9 isso que constitui a garantia proveniente da Escola, destacada desde o come\u00e7o. Sua iniciativa compete \u00e0 Escola, onde s\u00f3 se \u00e9 admitido com base no projeto de um trabalho e sem considera\u00e7\u00e3o para com a proveni\u00eancia nem as qualifica\u00e7\u00f5es. Um analista praticante s\u00f3 \u00e9 registrado nela, no come\u00e7o, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es em que nela se inscrevem o m\u00e9dico, o etn\u00f3logo e tutti quanti.<br \/>\nII. O AE, ou analista da Escola, a quem se imputa estar entre os que podem dar testemunho dos problemas cruciais, nos pontos nodais em que se acham eles no tocante \u00e0 an\u00e1lise, especialmente na medida em que eles pr\u00f3prios est\u00e3o investidos nessa tarefa ou, pelo menos, sempre em vias de resolv\u00ea-los.<br \/>\nEsse lugar implica que se queira ocup\u00e1-lo: s\u00f3 se pode estar nele por t\u00ea-lo demandado de fato, sen\u00e3o formalmente.<br \/>\nQue a Escola pode garantir a rela\u00e7\u00e3o do analista com a forma\u00e7\u00e3o que ela dispensa, portanto, est\u00e1 estabelecido.<br \/>\nPode faz\u00ea-lo e, portanto, deve faz\u00ea-lo.<br \/>\n\u00c9 a\u00ed que aparece a falha, a falta de inventividade para exercer um of\u00edcio (ou seja, aquele de que se vangloriam as sociedades existentes), encontrando para ele caminhos diferentes, que evitem os inconvenientes (e os malef\u00edcios) do regime dessas sociedades.<br \/>\nA id\u00e9ia de que a manuten\u00e7\u00e3o de um regime semelhante \u00e9 necess\u00e1ria para regular o gradus deve ser salientada em seus efeitos de mal-estar. Esse mal-estar n\u00e3o basta para justificar a manuten\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia. E menos ainda seu retorno pr\u00e1tico.<br \/>\nQue existe uma regra do gradus est\u00e1 impl\u00edcito numa escola, mais ainda certamente, do que numa sociedade. Pois numa sociedade, afinal de contas, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade disso, se uma sociedade s\u00f3 tem interesses cient\u00edficos.<br \/>\nMas existe um real em jogo na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do psicanalista. Afirmamos que as sociedades existentes fundam-se nesse real.<br \/>\nPartimos tamb\u00e9m do fato, que tem todas as apar\u00eancias a seu favor, de que Freud as quis tais como s\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o menos patente \u2014 e conceb\u00edvel, para n\u00f3s \u2014 \u00e9 o fato de que esse real provoca seu pr\u00f3prio desconhecimento, ou at\u00e9 produz sua nega\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica.<br \/>\nEst\u00e1 claro, pois, que Freud correu o risco de uma certa parada. Talvez mais: que viu nela a \u00fanica prote\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para evitar a extin\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia.<br \/>\nQue nos confrontemos com a quest\u00e3o assim formulada n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio meu. \u00c9 a pr\u00f3pria continua\u00e7\u00e3o, digamos ao menos quanto aos analistas da Escola, da escolha que eles fizeram pela Escola.<br \/>\nEncontram-se agrupados nela por n\u00e3o terem querido atrav\u00e9s de uma vota\u00e7\u00e3o aceitar o que esse voto pautaria: a pura e simples sobreviv\u00eancia de um ensino, o de Lacan.<br \/>\nQuem quer, por outro lado, que continue a dizer que se tratava da forma\u00e7\u00e3o de analistas, estar\u00e1 mentindo. Pois bastou que se votasse no sentido desejado pela IPA para obter o ingresso nesta a todo o pano, s\u00f3 faltando receber a ablu\u00e7\u00e3o, por um breve per\u00edodo, de um s\u00e9culo made in English (n\u00e3o se h\u00e1 de esquecer o French group). Meus analisantes, como se costuma dizer, foram at\u00e9 particularmente bem-vindos por l\u00e1, e o seriam ainda caso o resultado pudesse ser o de me fazer calar.<br \/>\nIsso \u00e9 relembrado todos os dias a quem quiser ouvir.<br \/>\nFoi, portanto, a um grupo para o qual meu ensino era t\u00e3o precioso ou t\u00e3o essencial que cada um, deliberando, marcou preferir a vantagem oferecida \u2014 e isto sem enxergar adiante, tal como, sem enxergar adiante, interrompi meu semin\u00e1rio em seguida \u00e0 referida vota\u00e7\u00e3o \u2014, foi a esse grupo em dificuldade de encontrar uma sa\u00edda que ofereci a funda\u00e7\u00e3o da Escola.<br \/>\nPor essa escolha, decisiva para os que aqui est\u00e3o, marca-se o valor do que est\u00e1 em jogo. Pode haver algo que est\u00e1 em jogo que vale para alguns a ponto de lhes ser essencial, e este \u00e9 meu ensino.<br \/>\nSe o referido ensino \u00e9 sem rival para eles, ele o \u00e9 para todos, como provam os que aqui se comprimem sem haverem pago o pre\u00e7o, ficando suspensa para eles a quest\u00e3o do lucro que lhes \u00e9 permitido.<br \/>\nSem rival, aqui, n\u00e3o significa uma avalia\u00e7\u00e3o, mas um fato: nenhum ensino fala do que \u00e9 a psican\u00e1lise. Em outros lugares, e de maneira declarada, cuida-se apenas de que ela seja conforme.<br \/>\nExiste uma solidariedade entre a pane ou os desvios mostrados pela psican\u00e1lise e a hierarquia que nela impera \u2014 e que designamos, com benevol\u00eancia, como h\u00e3o de reconhecer, como a de uma coopta\u00e7\u00e3o de doutos.<br \/>\nA raz\u00e3o disso \u00e9 que tal coopta\u00e7\u00e3o promove o retorno a um status de impon\u00eancia, conjugando a pregn\u00e2ncia narc\u00edsica com a ast\u00facia competitiva. Retorno que restabelece refor\u00e7os do relapso, o que a psican\u00e1lise did\u00e1tica tem por fim eliminar.<br \/>\n\u00c9 esse o efeito que lan\u00e7a sua sombra sobre a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise \u2014 cujo t\u00e9rmino, objeto e at\u00e9 objetivo revelam-se inarticul\u00e1veis, ap\u00f3s pelo menos meio s\u00e9culo de experi\u00eancia ininterrupta.<br \/>\nRemediar isso, entre n\u00f3s, deve ser feito pela constata\u00e7\u00e3o da falha que registro, longe de pensar em encobri-la.<br \/>\nMas para colher nessa falha a articula\u00e7\u00e3o que falta.<br \/>\nEla s\u00f3 faz confirmar o que se encontra por toda parte e \u00e9 sabido desde sempre: que n\u00e3o basta a evid\u00eancia de um dever para que ele seja cumprido. \u00c9 por interm\u00e9dio de sua hi\u00e2ncia que ele pode ser posto em a\u00e7\u00e3o, e o \u00e9 toda vez que se encontra o meio de utiliz\u00e1-la.<br \/>\nPara introduzi-los nisso, eu me apoiarei nos dois momentos da jun\u00e7\u00e3o do que chamarei, neste arrazoado, respectivamente, de psican\u00e1lise em extens\u00e3o, ou seja, tudo o que resume a fun\u00e7\u00e3o de nossa Escola como presentificadora da psican\u00e1lise no mundo, e psican\u00e1lise em intens\u00e3o, ou seja, a did\u00e1tica, como n\u00e3o fazendo mais do que preparar operadores para ela.<br \/>\nEsquece-se, com efeito, sua pregnante raz\u00e3o de ser, que \u00e9 constituir a psican\u00e1lise como uma experi\u00eancia original, lev\u00e1-la ao ponto em que nela figura a finitude, para permitir o a posteriori, efeito de tempo que, como sabemos, lhe \u00e9 radical.<br \/>\nEssa experi\u00eancia \u00e9 essencial para isol\u00e1-la da terap\u00eautica, que n\u00e3o distorce a psican\u00e1lise somente por relaxar seu rigor.<br \/>\nObservaria eu, com efeito, que n\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da terap\u00eautica sen\u00e3o a de restabelecimento de um estado prim\u00e1rio. Defini\u00e7\u00e3o, justamente, imposs\u00edvel de enunciar na psican\u00e1lise.<br \/>\nQuanto ao primum non nocere, n\u00e3o falemos nisso, j\u00e1 que ele \u00e9 inst\u00e1vel por n\u00e3o poder ser determinado como primum no come\u00e7o \u2014 donde optar por n\u00e3o causar dano! Tentem. \u00c9 muito f\u00e1cil, nestas condi\u00e7\u00f5es, de se creditar a um tratamento qualquer o fato de ele n\u00e3o haver causado dano a algo. Esse tra\u00e7o for\u00e7ado s\u00f3 tem interesse por decorrer, sem d\u00favida, de um indecid\u00edvel l\u00f3gico.<br \/>\nPodemos encontrar os tempos idos e revolvidos em que aquilo a que se tratava de n\u00e3o causar dano era a entidade m\u00f3rbida. Mas o tempo do m\u00e9dico est\u00e1 mais implicado do que se sup\u00f5e nessa revolu\u00e7\u00e3o \u2014 pelo menos, a exig\u00eancia, tornada mais prec\u00e1ria, do que torna m\u00e9dico ou n\u00e3o um ensino. Digress\u00e3o.<br \/>\nNossos pontos de jun\u00e7\u00e3o, onde t\u00eam que funcionar nossos \u00f3rg\u00e3os de garantia, s\u00e3o conhecidos: s\u00e3o o come\u00e7o e o fim da psican\u00e1lise, como no xadrez. Por sorte, s\u00e3o eles os mais exemplares, por sua estrutura. Essa sorte deve provir do que chamamos de encontro.<br \/>\nNo come\u00e7o da psican\u00e1lise est\u00e1 a transfer\u00eancia. Ela ali est\u00e1 gra\u00e7as \u00e0quele que chamaremos, no despontar desta formula\u00e7\u00e3o, o psicanalisante.O que comumente se chama o psicanalisado, por antecipa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos que dar conta do que a condiciona. Pelo menos aqui. Ela est\u00e1 ali no come\u00e7o. Mas o que \u00e9?<br \/>\nFico admirado de que ningu\u00e9m jamais tenha pensado em me objetar, considerados certos termos de minha doutrina, que a transfer\u00eancia por si s\u00f3 cria uma obje\u00e7\u00e3o \u00e0 intersubjetividade. Chego at\u00e9 a lament\u00e1-lo, visto que nada \u00e9 mais verdadeiro: ela a refuta, \u00e9 seu obst\u00e1culo. Ali\u00e1s, foi para estabelecer o fundo contra o qual se pode perceber o contr\u00e1rio que promovi, desde o come\u00e7o, o que implica de intersubjetividade o uso da fala. Esse termo foi, portanto, um modo \u2014 um modo como outro qualquer, diria eu, se n\u00e3o se me houvesse imposto \u2014 de circunscrever o alcance da transfer\u00eancia.<br \/>\nA esse respeito, ali onde conv\u00e9m que algu\u00e9m legitime seu lote universit\u00e1rio, h\u00e1 quem se apodere do referido termo, tido, sem d\u00favida por eu o haver usado, como levitador. Mas quem me l\u00ea pode observar a &#8220;ressalva&#8221; com que ponho em jogo essa refer\u00eancia no que concerne \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. Isso faz parte das concess\u00f5es educativas a que tive de me entregar em nome do contexto de fabuloso ignorantismo em que tive que proferir meus primeiros semin\u00e1rios.Pode algu\u00e9m duvidar agora de que, ao relacionar com o sujeito do cogito aquilo que nos revela o inconsciente, de que, ao haver definido a distin\u00e7\u00e3o entre o outro imagin\u00e1rio, familiarmente chamado pequeno outro e o lugar de opera\u00e7\u00e3o da linguagem, postulado como sendo o grande outro, eu indique com bastante clareza que nenhum sujeito \u00e9 supon\u00edvel por Outro sujeito, se esse termo tiver que ser tomado pelo lado de Descartes? Que Descartes precise de Deus, ou melhor, da verdade com que o credita, para que o sujeito venha alojar-se sob a mesma capa que veste enganosas sombras humanas, ou que Hegel, ao retom\u00e1-lo, enuncie a impossibilidade da coexist\u00eancia das consci\u00eancias, na medida em que se trata do sujeito fadado ao saber \u2014 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 isso o bastante para apontar a dificuldade, da qual precisamente nosso impasse, o do sujeito do inconsciente, oferece a solu\u00e7\u00e3o&#8230; a quem sabe constitu\u00ed-la?<br \/>\n\u00c9 verdade que, nisso, Jean-Paul Sartre, sumamente capaz de perceber que a luta de morte n\u00e3o \u00e9 essa solu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o se pode destruir um sujeito, e que tamb\u00e9m em Hegel ela \u00e9 anteposta no nascimento, profere entre quatro paredes [huis clos] sua senten\u00e7a fenomenol\u00f3gica: trata-se do inferno. Mas, como ela \u00e9 falsa, e de maneira que pode ser julgada pela estrutura \u2014 j\u00e1 que bem mostra o fen\u00f4meno, que o covarde, n\u00e3o sendo louco, pode muito bem se arranjar com o olhar que o fita \u2014 essa senten\u00e7a prova igualmente que o obscurantismo tem sua mesa posta n\u00e3o apenas nos \u00e1gapes da direita.<br \/>\nO sujeito suposto saber (Neste par\u00e1grafo e no seguinte Lacan distingue o termo aqui utilizado, n\u00e9ant, de outros tr\u00eas: nul\/nulit\u00e9 (nulo\/nulidade), vide (vazio) e rien (nada). Por essa raz\u00e3o, fomos levados a uma tradu\u00e7\u00e3o menos literal.) \u00e9, para n\u00f3s, o eixo a partir do qual se articula tudo o que acontece com a transfer\u00eancia. Cujos efeitos escapam quando, para apreend\u00ea-los, faz-se uma pin\u00e7a com o desajeitado pun que vai da necessidade da repeti\u00e7\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o da necessidade.<br \/>\nAqui, o levitante da intersubjetividade mostrar\u00e1 sua finura ao indagar: sujeito suposto por quem, sen\u00e3o por outro sujeito?<br \/>\nUma lembran\u00e7a de Arist\u00f3teles, uma pitada das categorias, por gentileza, para desenlamear esse sujeito do subjetivo. Um sujeito n\u00e3o sup\u00f5e nada, ele \u00e9 suposto.<br \/>\nSuposto, ensinamos n\u00f3s, pelo significante que o representa para outro significante.<br \/>\nEscrevamos como conv\u00e9m o suposto desse sujeito colocando o saber em seu lugar de adjac\u00eancia da suposi\u00e7\u00e3o:<br \/>\nReconhecemos na primeira linha o significante S da transfer\u00eancia, isto \u00e9, de um sujeito, com sua implica\u00e7\u00e3o de um significante que diremos ser qualquer, ou seja, que sup\u00f5e apenas a particularidade no sentido de Arist\u00f3teles (sempre bem-vindo) e que, em virtude disso, sup\u00f5e mais outras coisas. Se ele \u00e9 denomin\u00e1vel por um nome pr\u00f3prio, n\u00e3o \u00e9 por se distinguir pelo saber, como veremos.<br \/>\nAbaixo da barra, embora reduzida ao palmo supositivo do primeiro significante, o S representa o sujeito resultante, que implica dentro dos par\u00eanteses o saber, supostamente presente, dos significantes que est\u00e3o no inconsciente, significa\u00e7\u00e3o esta que faz as vezes do referencial ainda latente na rela\u00e7\u00e3o terceira que o liga ao par significante-significado.<br \/>\nVemos que, embora a psican\u00e1lise consista na manuten\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o combinada entre dois parceiros, que nela se colocam como o psicanalisante e o psicanalista, ela s\u00f3 pode desenvolver-se ao pre\u00e7o do constituinte tern\u00e1rio, que \u00e9 o significante introduzido no discurso que se instaura, aquele que tem nome: o sujeito suposto saber, esta uma forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o de artif\u00edcio, mas de inspira\u00e7\u00e3o, como destacada do psicanalisante.<br \/>\nTemos de ver o que habilita o psicanalista a responder a essa situa\u00e7\u00e3o que percebemos n\u00e3o envolver sua pessoa. N\u00e3o apenas o sujeito suposto saber n\u00e3o \u00e9 real de fato, como tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade de que o sujeito em atividade na conjuntura, o psicanalisante (o \u00fanico a falar, a princ\u00edpio), lhe fa\u00e7a essa imposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsso \u00e9 t\u00e3o pouco necess\u00e1rio, ali\u00e1s, que comumente nem \u00e9 verdade: o que \u00e9 demonstrado, nos primeiros tempos do discurso, por uma forma de se certificar que a roupa n\u00e3o cai bem no psicanalista \u2014 garantia contra o temor, se assim posso dizer, de que ele introduza suas pr\u00f3prias costuras [plis] cedo demais.<br \/>\nO que nos importa aqui \u00e9 o psicanalista em sua rela\u00e7\u00e3o com o saber do sujeito suposto, n\u00e3o secund\u00e1ria, mas direta.<br \/>\n\u00c9 claro que, do saber suposto, ele nada sabe. O Sq da primeira linha nada tem a ver com os S encadeados da segunda, e s\u00f3 pode ser encontrado neles por acaso. Assinalamos esse fato para nele reduzir a estranheza da insist\u00eancia de Freud em nos recomendar que abordemos cada novo caso como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos aprendido coisa alguma com suas primeiras decifra\u00e7\u00f5es.<br \/>\nIsso n\u00e3o autoriza o psicanalista, de modo algum, a se dar por satisfeito com saber que nada sabe, pois o que se trata \u00e9 do que ele tem de saber.<br \/>\nO que ele tem de saber pode ser tra\u00e7ado pela mesma rela\u00e7\u00e3o &#8220;em reserva&#8221; pela qual opera toda l\u00f3gica digna desse nome. Isso n\u00e3o significa nada em &#8220;particular&#8221;, mas se articula numa cadeia de letras t\u00e3o rigorosas que, sob a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o se errar nenhuma, o n\u00e3o sabido ordena-se como o quadro do saber.<br \/>\nO espantoso \u00e9 que com isso descobrimos algo \u2014 os n\u00fameros transfinitos, por exemplo. Que acontecia com eles, antes? Aponto aqui a rela\u00e7\u00e3o deles com o desejo que lhes deu consist\u00eancia. \u00c9 \u00fatil pensar na aventura de um Cantor, aventura que justamente n\u00e3o foi gratuita, para sugerir a ordem, n\u00e3o fosse ela transfinita, em que se situa o desejo do psicanalista.<br \/>\nEssa situa\u00e7\u00e3o explica, inversamente, a aparente facilidade com que se instala, nos cargos de dire\u00e7\u00e3o das sociedades existentes, o que realmente conviria chamar de ocos. Entendam-me: o importante n\u00e3o \u00e9 a maneira como esses ocos se mobiliam (discurso sobre a bondade?) para quem est\u00e1 de fora, nem a disciplina pressuposta pelo vazio mantido internamente (n\u00e3o se trata de burrice), mas sim que esse oco (do saber) \u00e9 reconhecido por todos \u2014 objeto usual, se assim podemos dizer, para os subordinados, e moeda corrente de sua aprecia\u00e7\u00e3o pelos Superiores.<br \/>\nA raz\u00e3o disso encontra-se na confus\u00e3o a respeito do zero, onde se fica num campo em que ela n\u00e3o tem vez. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que se preocupe, no gradus, em ensinar o que distingue o vazio do nada \u2014 o que, no entanto, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa \u2014, nem entre o tra\u00e7o referencial da medida e o elemento neutro implicado no grupo l\u00f3gico, nem tampouco entre a nulidade da incompet\u00eancia e o n\u00e3o-marcado da ingenuidade, a partir do que muitas coisas assumiriam seu lugar.<br \/>\nFoi para fazer frente a essa falha que produzi o oito interior e, de modo geral, a topologia com que o sujeito se sustenta.<br \/>\nO que deve predispor um membro da Escola a tais estudos \u00e9 a preval\u00eancia, que voc\u00eas podem apreender no algoritmo produzido acima, mas que n\u00e3o deixa de persistir pelo fato de ser ignorada, a preval\u00eancia, manifesta onde quer que seja \u2014 tanto na psican\u00e1lise em extens\u00e3o como na psican\u00e1lise em intens\u00e3o \u2014, daquilo que chamarei de saber textual, para contrast\u00e1-la com a id\u00e9ia referencial que a mascara.<br \/>\nEm todos os objetos que a linguagem prop\u00f5e n\u00e3o apenas ao saber, mas que inicialmente trouxe ao mundo da realidade, da realidade da explora\u00e7\u00e3o inter-humana, n\u00e3o se pode dizer que o psicanalista seja perito. Isso seria bom, mas, na verdade, \u00e9 muito pouco.<br \/>\nO saber textual n\u00e3o era parasita animando uma l\u00f3gica da qual a nossa tira li\u00e7\u00f5es para sua surpresa (refiro-me \u00e0 da Idade M\u00e9dia), e n\u00e3o foi \u00e0 sua custa que ela soube fazer frente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a Revela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 pelo fato de o valor religioso dele ter se tornado indiferente para n\u00f3s que seu efeito na estrutura deve ser negligenciado. A psican\u00e1lise tem consist\u00eancia pelos textos de Freud, esse \u00e9 um fato irrefut\u00e1vel. Sabemos em que, de Shakespeare a Lewis Carroll, os textos contribuem para seu esp\u00edrito e seus praticantes.<br \/>\n\u00c9 esse o campo em que se discerne quem admitir em seu estudo. Foi dele que o sofista e o talmudista, o propagador de contos e o aedo tiraram a for\u00e7a que, a cada instante, mais ou menos desajeitadamente, recuperamos para nosso uso.<br \/>\nQue um L\u00e9vi-Strauss, em suas mitol\u00f3gicas, lhe d\u00ea seu estatuto cient\u00edfico, \u00e9 bom para nos facilitar fazer dele um limiar para nossa sele\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRecordemos o guia fornecido por meu grafo para a an\u00e1lise e a articula\u00e7\u00e3o que dele se isola do desejo nas inst\u00e2ncias do sujeito.<br \/>\nIsto \u00e9 para salientar a identidade entre o algoritmo aqui precisado e o que \u00e9 conotado em O banquete como o agalma.<br \/>\nOnde se diz melhor do que ali faz Alcib\u00edades? Que as emboscadas do amor transferencial n\u00e3o t\u00eam por fim sen\u00e3o obter aquilo de que ele pensa ser S\u00f3crates o continente ingrato?<br \/>\nMas, quem sabe melhor do que S\u00f3crates que ele s\u00f3 det\u00e9m a significa\u00e7\u00e3o que gera por reter esse nada, o que lhe permite remeter Alcib\u00edades ao destinat\u00e1rio presente de seu discurso, Agat\u00e3o (como que por acaso)? Isto \u00e9 para lhes ensinar que, ao se obcecarem com o que lhes concerne no discurso do psicanalisante, voc\u00eas ainda n\u00e3o chegaram l\u00e1.<br \/>\nMas, ser\u00e1 que isso \u00e9 tudo, se aqui o psicanalisante \u00e9 id\u00eantico ao agalma, a maravilha que nos deslumbra, a n\u00f3s terceiros, como Alcib\u00edades? N\u00e3o ser\u00e1 esta, para n\u00f3s, uma oportunidade de vermos isolar-se o puro vi\u00e9s do sujeito como rela\u00e7\u00e3o livre com o significante, aquela pela qual se isola o desejo do saber como desejo do Outro?<br \/>\nComo todos os casos particulares que comp\u00f5em o milagre grego, esse s\u00f3 nos apresenta fechada a caixa de Pandora. Aberta, ela \u00e9 a psican\u00e1lise, da qual Alcib\u00edades n\u00e3o tinha necessidade.<br \/>\nCom o que chamei de fim da partida, chegamos \u2014 enfim \u2014 ao \u00e2mago de nossa coloca\u00e7\u00e3o desta noite. O t\u00e9rmino da psican\u00e1lise superfluamente chamada de did\u00e1tica \u00e9, com efeito, a passagem do psicanalisante a psicanalista.<br \/>\nNosso objetivo \u00e9 formular uma equa\u00e7\u00e3o cuja constante \u00e9 o agalma.<br \/>\nO desejo do psicanalista \u00e9 sua enuncia\u00e7\u00e3o, a qual s\u00f3 pode operar se caso venha ali na posi\u00e7\u00e3o do x:<br \/>\ndesse mesmo x cuja solu\u00e7\u00e3o entrega ao psicanalisante seu ser e cujo valor tem a nota\u00e7\u00e3o (-j), hi\u00e2ncia que designamos como a fun\u00e7\u00e3o do falo a ser isolada no complexo de castra\u00e7\u00e3o, ou (a), quanto \u00e0quilo que o obtura com o objeto que reconhecemos sob a fun\u00e7\u00e3o aproximada da rela\u00e7\u00e3o pr\u00e9-genital. (\u00c9 ela que o caso de Alcib\u00edades mostra anular \u2014 o que se conota pela mutila\u00e7\u00e3o dos Hermes.)<br \/>\nA estrutura, assim abreviada, permite-lhes ter uma id\u00e9ia do que acontece ao termo da rela\u00e7\u00e3o transferencial, ou seja, quando, havendo-se resolvido o desejo que sustentara em sua opera\u00e7\u00e3o o psicanalisante, ele n\u00e3o mais tem vontade, no fim, de levantar sua op\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, de ficar com o resto que, como determinante de sua divis\u00e3o, o faz decair de sua fantasia e o destitui como sujeito.<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e1 esse o grande motus que conv\u00e9m guardarmos entre n\u00f3s, que, como psicanalistas, dele tiramos nossa sufici\u00eancia, enquanto a beatitude se oferece para al\u00e9m do esquec\u00ea-lo n\u00f3s mesmos?<br \/>\nN\u00e3o haver\u00edamos, ao anunci\u00e1-lo, de desestimular os amadores? A destitui\u00e7\u00e3o subjetiva gravada no bilhete de ingresso&#8230; n\u00e3o ser\u00e1 isso provocar o horror, a indigna\u00e7\u00e3o, o p\u00e2nico ou at\u00e9 o atentado, ou, pelo menos, dar um pretexto para a obje\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio?<br \/>\nO simples estabelecer uma interdi\u00e7\u00e3o daquilo que se imp\u00f5e de nosso ser equivale a nos oferecermos a uma reviravolta do destino que \u00e9 maldi\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 recusado no simb\u00f3lico, recordemos o veredito lacaniano, reaparece no real.<br \/>\nNo real da ci\u00eancia que destitui o sujeito de modo bem diferente em nossa \u00e9poca quando apenas seus partid\u00e1rios mais eminentes, como um Oppenheimer, perdem a cabe\u00e7a.<br \/>\nEis onde nos demitimos daquilo que nos faz respons\u00e1veis, ou seja, da posi\u00e7\u00e3o em que fixei a psican\u00e1lise em sua rela\u00e7\u00e3o com a ci\u00eancia, a de extrair a verdade que lhe corresponde em termos cujo resto de voz nos \u00e9 alocado.<br \/>\nCom que pretexto abrigamos essa recusa, quando se sabe perfeitamente da indiferen\u00e7a que protege a verdade e os sujeitos, todos juntos, e se sabe que, ao prometer a estes a primeira, isso s\u00f3 n\u00e3o d\u00e1 na mesma para aqueles que j\u00e1 est\u00e3o pr\u00f3ximos dela? Falar de destitui\u00e7\u00e3o subjetiva jamais deter\u00e1 o inocente, que n\u00e3o tem outra lei sen\u00e3o seu desejo.<br \/>\nS\u00f3 temos escolha entre enfrentar a verdade ou ridicularizar nosso saber.<br \/>\nEssa sombra espessa que encobre a jun\u00e7\u00e3o de que me ocupo aqui, aquela em que o psicanalisante passa a psicanalista, \u00e9 ela que nossa Escola pode empenhar-se em dissipar.<br \/>\nN\u00e3o estou mais longe do que voc\u00eas nesta obra que n\u00e3o pode ser conduzida sozinho, j\u00e1 que a psican\u00e1lise constitui o acesso a ela.<br \/>\nDevo contentar-me aqui com um ou dois flashes a preced\u00ea-la.<br \/>\nNa origem da psican\u00e1lise, como n\u00e3o recordar aquilo que, entre n\u00f3s, enfim lembrou Mannoni? \u2014 que o psicanalista \u00e9 Fliess, isto \u00e9, o medicastro, o titilador de narizes, o homem a quem se revelou o princ\u00edpio masculino e feminino nos n\u00fameros 21 e 28, gostem voc\u00eas ou n\u00e3o, em suma, aquele saber que o psicanalisante \u2014 Freud, o cientista, como se exprime a boquinha das almas abertas ao ecumenismo \u2014 rejeitava com toda a for\u00e7a do juramento que o ligava ao programa de Helmholtz e seus c\u00famplices.<br \/>\nO fato de esse artigo ter sido dado a uma revista que mal permitiu que a express\u00e3o &#8220;sujeito suposto saber&#8221; aparecesse nela, a n\u00e3o ser perdida no meio de uma p\u00e1gina, em nada diminui o valor que ele pode ter para n\u00f3s.<br \/>\nAo nos relembrar a &#8220;an\u00e1lise original&#8221;, ele nos recoloca no n\u00edvel da dimens\u00e3o de miragem em que se assenta a posi\u00e7\u00e3o do psicanalista, e nos sugere n\u00e3o ser garantido que ela venha a ser reduzida enquanto uma cr\u00edtica cient\u00edfica n\u00e3o se houver estabelecido em nossa disciplina.<br \/>\nO t\u00edtulo presta-se ao coment\u00e1rio de que a verdadeira an\u00e1lise original s\u00f3 pode ser a segunda, por constituir a repeti\u00e7\u00e3o que da primeira faz um ato, pois \u00e9 ela que introduz o a posteriori pr\u00f3prio do tempo l\u00f3gico, que se marca pelo fato de que o psicanalisando passou a psicanalista. (Refiro-me ao pr\u00f3prio Freud, que com isso sanciona n\u00e3o ter feito uma auto-an\u00e1lise.)<br \/>\nPermito-me ainda lembrar a Mannoni que a escans\u00e3o do tempo l\u00f3gico inclui o que chamei de momento de compreender, justamente pelo efeito produzido (que ele retome meu sofisma) pela n\u00e3o compreens\u00e3o, e que, ao eludir, em suma, o que constitui a alma de seu artigo, ele nos ajuda a compreender de esguelha.<br \/>\nRecordo aqui que o qualquer um que recrutamos com base em &#8220;compreender os doentes&#8221; se alista a partir de um mal-entendido que n\u00e3o \u00e9 sadio como tal.<br \/>\nAgora, um flash de onde estamos. Com o fim da an\u00e1lise hipoman\u00edaca, descrita por nosso Balint como a \u00faltima moda, cabe diz\u00ea-lo, da identifica\u00e7\u00e3o do psicanalisante com seu guia, estamos tocando na conseq\u00fc\u00eancia da recusa anteriormente denunciada (recusa suspeita, Verleugnung?), que s\u00f3 deixa o ref\u00fagio da palavra de ordem, agora adotada nas sociedades existentes, da alian\u00e7a com a parte sadia do eu [moi], a qual resolve a passagem ao analista pela postula\u00e7\u00e3o, nele, dessa parte sadia, desde o come\u00e7o. De que serve, portanto, sua passagem pela experi\u00eancia?<br \/>\nTal \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o das sociedades existentes. Ela rejeita nossa formula\u00e7\u00e3o num al\u00e9m da psican\u00e1lise.<br \/>\nA passagem de psicanalisante a psicanalista tem uma porta cuja dobradi\u00e7a \u00e9 o resto que constitui a divis\u00e3o entre eles, porque essa divis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a do sujeito, da qual esse resto \u00e9 a causa.<br \/>\nNessa reviravolta em que o sujeito v\u00ea so\u00e7obrar a seguran\u00e7a que extra\u00eda da fantasia em que se constitui, para cada um, sua janela para o real, o que se percebe \u00e9 que a apreens\u00e3o do desejo n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a de um des-ser.<br \/>\nNesse des-ser revela-se o inessencial do sujeito suposto saber, donde o futuro psicanalista entrega-se ao agalma da ess\u00eancia do desejo, disposto a pagar por ele em se reduzindo, ele e seu nome, ao significante qualquer.<br \/>\nPorque ele rejeitou o ser que n\u00e3o sabia a causa de sua fantasia no exato momento em que, finalmente, esse saber suposto, ele passa a s\u00ea-lo.<br \/>\n&#8220;Que ele saiba do que eu n\u00e3o sabia do ser do desejo, do que acontece com ele, ao ter vindo ao ser do saber, e que se apague.&#8221; Sicut palea, como diz Tom\u00e1s sobre sua obra no fim da vida \u2014 como estrume.<br \/>\nAssim, o ser do desejo une-se ao ser do saber para renascer, no que eles se atam, numa tira feita da borda \u00fanica em que se inscreve uma \u00fanica falta, aquela que sustenta o agalma.<br \/>\nA paz n\u00e3o vem selar prontamente essa metamorfose em que o parceiro se esvaece, por j\u00e1 n\u00e3o ser mais do que o saber v\u00e3o de um ser que se furta.<br \/>\nTocamos a\u00ed na futilidade do termo liquida\u00e7\u00e3o com respeito a este furo, somente onde se resolve a transfer\u00eancia. S\u00f3 vejo nisso, ao contr\u00e1rio das apar\u00eancias, a denega\u00e7\u00e3o do desejo do analista.<br \/>\nPois quem, ao divisar os dois parceiros jogando como as duas p\u00e1s de uma tela que gira em minhas \u00faltimas linhas, n\u00e3o \u00e9 capaz de captar que a transfer\u00eancia nunca foi sen\u00e3o o piv\u00f4 dessa pr\u00f3pria altern\u00e2ncia.<br \/>\nAssim, daquele que recebeu a chave do mundo na fenda da imp\u00fabere, o psicanalista n\u00e3o mais tem que esperar um olhar, mas se v\u00ea tornar-se uma voz.<br \/>\nE esse outro que, quando crian\u00e7a, encontrara seu representante representativo em sua irrup\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do di\u00e1rio aberto em que se abrigava o campo de aduba\u00e7\u00e3o dos pensamentos de seu genitor, devolve ao psicanalista o efeito de ang\u00fastia em que ele oscila em sua pr\u00f3pria deje\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAssim, o fim da psican\u00e1lise guarda em si uma ingenuidade sobre a qual se coloca a quest\u00e3o de saber se ela deve ser tida como garantia na passagem para o desejo de ser psicanalista.<br \/>\nDonde se poderia esperar, portanto, um testemunho correto sobre aquele que transp\u00f5e esse passe, sen\u00e3o de um outro que, como ele, o \u00e9 ainda, esse passe, ou seja, em quem est\u00e1 presente nesse momento o des-ser em que seu psicanalista conserva a ess\u00eancia daquilo que lhe \u00e9 passado como um luto, com isso sabendo, como qualquer outro na fun\u00e7\u00e3o de didata, que tamb\u00e9m para eles isso passar\u00e1?<br \/>\nQuem, melhor do que esse psicanalisante no passe, poderia autenticar o que ele tem da posi\u00e7\u00e3o depressiva? N\u00e3o ventilamos a\u00ed nada pelo qual algu\u00e9m possa se dar ares de import\u00e2ncia, se n\u00e3o estiver no ponto.<br \/>\n\u00c9 o que lhes proporei, dentro em pouco, como o of\u00edcio a ser confiado, no tocante \u00e0 demanda do tornar-se analista da Escola, a alguns a quem denominaremos passadores.<br \/>\nCada um deles ter\u00e1 sido escolhido por um analista da Escola, aquele que pode responder pelo fato de que eles estejam nesse passe ou que retornaram a ele, em suma, ainda estando ligados ao desenlace de sua experi\u00eancia pessoal.<br \/>\n\u00c9 com eles que um psicanalisante, para se fazer autorizar como analista da Escola, falar\u00e1 de sua an\u00e1lise, e o testemunho que eles poder\u00e3o colher pelo v\u00edvido de seu pr\u00f3prio passado ser\u00e1 daqueles que nenhum j\u00fari de aprova\u00e7\u00e3o jamais colhe. A decis\u00e3o de tal j\u00fari seria esclarecida por isso, portanto, n\u00e3o sendo essas testemunhas ju\u00edzes, \u00e9 claro.<br \/>\n\u00c9 desnecess\u00e1rio indicar que essa proposta implica uma acumula\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia, sua coleta e sua elabora\u00e7\u00e3o, uma seria\u00e7\u00e3o de sua variedade e uma nota\u00e7\u00e3o de seus graus.<br \/>\nPoder surgir das liberdades do fechamento de uma experi\u00eancia, \u00e9 isso que decorre da natureza do a posteriori na signific\u00e2ncia.<br \/>\nDe qualquer modo, essa experi\u00eancia n\u00e3o pode ser evitada. Seus resultados devem ser comunicados: primeiro \u00e0 Escola, para as cr\u00edticas, e, correlativamente, colocados ao alcance das sociedades que, por mais que nos tenham tornado exclu\u00eddos, nem por isso deixam de ser assunto nosso.<br \/>\nO j\u00fari em funcionamento, portanto, n\u00e3o pode abster-se de um trabalho de doutrina, para al\u00e9m de seu funcionamento como selecionador.<br \/>\nAntes de lhes propor uma forma, quero indicar que, de conformidade com a topologia do plano projetivo, \u00e9 no pr\u00f3prio horizonte da psican\u00e1lise em extens\u00e3o que se ata o c\u00edrculo interior que tra\u00e7amos como hi\u00e2ncia da psican\u00e1lise em intens\u00e3o.<br \/>\nEsse horizonte, eu gostaria de centr\u00e1-lo em tr\u00eas pontos de fuga em perspectiva, not\u00e1veis por pertencerem, cada um deles, a um dos registros cuja colus\u00e3o na heterotopia constitui nossa experi\u00eancia.<br \/>\nNo simb\u00f3lico temos o mito edipiano.<br \/>\nObservemos, em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo da experi\u00eancia no qual acabamos de insistir, o que chamarei tecnicamente de facticidade desse ponto. Ele decorre, com efeito, de uma mitog\u00eanese, um de cujos componentes sabemos ser sua redistribui\u00e7\u00e3o. Ora, o \u00c9dipo, por lhe ser ect\u00f3pico (car\u00e1ter apontado por Kroeber), levanta um problema.<br \/>\nAbri-lo permitiria restaurar ou mesmo relativizar sua radicalidade na experi\u00eancia.<br \/>\nEu gostaria de iluminar meu ponto essencial simplesmente com o seguinte: retire-se o \u00c9dipo, e a psican\u00e1lise em extens\u00e3o, diria eu, torna-se inteiramente da al\u00e7ada do del\u00edrio do presidente Schreber.<br \/>\nVerifiquem a correspond\u00eancia ponto a ponto, certamente n\u00e3o atenuada desde que Freud a assinalou, n\u00e3o declinando de sua imputa\u00e7\u00e3o. Mas deixemos o que ofereceu meu semin\u00e1rio sobre Schreber para os que puderam ouvi-lo.<br \/>\nH\u00e1 outros aspectos desse ponto que se referem a nossas rela\u00e7\u00f5es com o exterior, ou, mais exatamente, a nossa extraterritorialidade \u2014 termo essencial no Escrito que tomei por pref\u00e1cio desta proposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nObservemos o lugar ocupado pela ideologia edipiana para como que dispensar a sociologia, h\u00e1 um s\u00e9culo, de tomar partido, como antes ela tivera que fazer, quanto ao valor da fam\u00edlia, da fam\u00edlia existente, da fam\u00edlia pequeno-burguesa na civiliza\u00e7\u00e3o \u2014 ou seja, na sociedade veiculada pela ci\u00eancia. Beneficiamo-nos ou n\u00e3o do que cobrimos com isso, sem que o soub\u00e9ssemos?<br \/>\nO segundo ponto constitui-se pelo tipo existente, de facticidade dessa vez evidente, de unidade: a sociedade de psican\u00e1lise, como encabe\u00e7ada por um executivo de escala internacional.<br \/>\nComo dissemos, Freud assim o quis, e o sorriso constrangido com que desautorizou o romantismo da esp\u00e9cie de Komintern clandestino a que inicialmente dera sua carta branca (cf. Jones, citado em meu Escrito) s\u00f3 faz sublinh\u00e1-lo melhor.<br \/>\nA natureza dessas sociedades e o modo com base no qual elas obtemperam s\u00e3o esclarecidos pela promo\u00e7\u00e3o da Igreja e do Ex\u00e9rcito, por Freud, a modelos do que ele concebe como a estrutura do grupo. (\u00c9 por esse termo, de fato, que hoje se deveria traduzir o Masse de sua Massenpsychologie.)<br \/>\nO efeito induzido pela estrutura assim privilegiada tamb\u00e9m se esclarece ao se lhe acrescentar a fun\u00e7\u00e3o, na Igreja e no Ex\u00e9rcito, do sujeito suposto saber. Estudo para quem quiser empreend\u00ea-lo: ele iria longe.<br \/>\nA nos atermos ao modelo freudiano, aparece de maneira flagrante o favorecimento que dele recebem as identifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias e, ao mesmo tempo, a raz\u00e3o que submete a psican\u00e1lise em intens\u00e3o a limitar a elas sua considera\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 seu alcance.<br \/>\nUm de meus melhores alunos transp\u00f4s muito bem seu tra\u00e7ado para o pr\u00f3prio \u00c9dipo, definindo a fun\u00e7\u00e3o do Pai Ideal.<br \/>\nEssa tend\u00eancia, como se costuma dizer, \u00e9 respons\u00e1vel por se relegar ao ponto do horizonte anteriormente definido aquilo que \u00e9 qualific\u00e1vel de edipiano na experi\u00eancia.<br \/>\nA terceira facticidade, real, sumamente real, t\u00e3o real que o real \u00e9 mais hip\u00f3crita [b\u00e9gueule] ao promov\u00ea-la do que a l\u00edngua, \u00e9 o que torna diz\u00edvel o termo campo de concentra\u00e7\u00e3o, sobre o qual nos parece que nossos pensadores, vagando do humanismo ao terror, n\u00e3o se concentraram o bastante.<br \/>\nAbreviemos dizendo que o que vimos emergir deles, para nosso horror, representou a rea\u00e7\u00e3o de precursores em rela\u00e7\u00e3o ao que se ir\u00e1 desenvolvendo como conseq\u00fc\u00eancia do remanejamento dos grupos sociais pela ci\u00eancia, e, nominalmente, da universaliza\u00e7\u00e3o que ela ali introduz.<br \/>\nNosso futuro de mercados comuns encontrar\u00e1 seu equil\u00edbrio numa amplia\u00e7\u00e3o cada vez mais dura dos processos de segrega\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCaberia atribuir a Freud ter querido, considerando sua introdu\u00e7\u00e3o de nascen\u00e7a no modelo secular desse processo, assegurar a seu grupo o privil\u00e9gio da insubmersibilidade universal de que gozam as duas institui\u00e7\u00f5es antes denominadas? N\u00e3o \u00e9 impens\u00e1vel.<br \/>\nComo quer que seja, esse recurso n\u00e3o torna mais c\u00f4modo para o desejo do psicanalista situar-se nessa conjuntura.<br \/>\n<b>Recordemos que, se a IPA da Mitteleuropa demonstrou sua adapta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via a essa prova\u00e7\u00e3o n\u00e3o perdendo nos referidos campos um s\u00f3 de seus membros, ela deveu a esse esfor\u00e7o supremo ver produzir-se, ap\u00f3s a guerra, uma corrida, que n\u00e3o deixou de ter sua parcela de incompetentes (cem psicanalistas med\u00edocres, lembremo-nos), de candidatos em cujo esp\u00edrito a motiva\u00e7\u00e3o de encontrar ref\u00fagio para a mar\u00e9 vermelha, fantasia de ent\u00e3o, n\u00e3o estava ausente.<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p>Que a &#8220;coexist\u00eancia&#8221;, que bem poderia, tamb\u00e9m ela, ser esclarecida por uma transfer\u00eancia, n\u00e3o nos fa\u00e7a esquecer um fen\u00f4meno que \u00e9 uma de nossas coordenadas geogr\u00e1ficas, caberia dizer, e cujo alcance \u00e9 mais mascarado pelas tagarelices sobre o racismo.<\/p>\n<p>O final deste documento esclarece o modo como se poderia introduzir aquilo que s\u00f3 tende, ao inaugurar uma experi\u00eancia, a tornar enfim verdadeiras as garantias buscadas.<br \/>\nDeixamo-las indivisas nas m\u00e3os daqueles que as t\u00eam por direito adquirido.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos esque\u00e7amos, no entanto, de que eles s\u00e3o os que mais padeceram com as prova\u00e7\u00f5es impostas pelo debate com a organiza\u00e7\u00e3o existente. O que o estilo e os fins dessa organiza\u00e7\u00e3o devem ao black-out que incidiu sobre a fun\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise did\u00e1tica \u00e9 evidente, desde que seja permitido um olhar sobre eles: da\u00ed o isolamento mediante o qual ela se protege a si mesma.<\/p>\n<p>As obje\u00e7\u00f5es com que se deparou nossa proposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o decorrem, em nossa Escola, de um temor t\u00e3o org\u00e2nico.<\/p>\n<p>O fato de elas se haverem exprimido a prop\u00f3sito de um tema motivado j\u00e1 mobiliza a autocr\u00edtica. O controle das capacidades n\u00e3o mais \u00e9 inef\u00e1vel, por requerer t\u00edtulos mais justos.<br \/>\n\u00c9 em provas dessa ordem que a autoridade se faz reconhecer.<br \/>\nQue o p\u00fablico dos t\u00e9cnicos saiba que n\u00e3o se trata de contest\u00e1-la, mas de retir\u00e1-la da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Escola Freudiana n\u00e3o pode cair no tough sem humor de um psicanalista que conheci em minha \u00faltima viagem aos EUA:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>&#8220;A raz\u00e3o por que jamais atacarei as formas institu\u00eddas&#8221;, disse-me ele, &#8220;\u00e9 que elas me asseguram sem problemas uma rotina que gera minha comodidade.&#8221;<\/b><br \/>\n<b>Extra\u00eddo da edi\u00e7\u00e3o brasileira dos &#8220;Outros Escritos&#8221; da Editora Zahar.<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Vers\u00e3o no idioma original:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.wapol.org\/pt\/las_escuelas\/TemplateArticulo.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=10&amp;intEdicion=4&amp;intArticulo=183&amp;intIdiomaArticulo=5\">Proposition du 9 octobre 1967 sur le psychanalyste de l&#8217;\u00c9cole<br \/>\nLa commission de la garantie<\/a>\u00a0(Franc\u00eas)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola Psican\u00e1lise ( por Lacan) por\u00a0 JACQUES LACAN ( 09\/10\/1967) &nbsp; &nbsp; Antes de l\u00ea-la, assinalo que conv\u00e9m entend\u00ea-la com base na leitura, a ser feita ou refeita, de meu artigo &#8220;Situa\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise e forma\u00e7\u00e3o do psicanalista em 1956&#8221; (p\u00e1ginas 461-95 de meus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-962","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=962"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/962\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":964,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/962\/revisions\/964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmpdf.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}